Ao perscrutar o espaço mais profundo,
Em que domina a atroz substância escura,
A invisível matéria da loucura,
Paira, atônito, o ser perante o mundo.
No pálio sideral, pavor fecundo,
Acelera o vazio a noite dura,
Tragando a luz que o astrônomo procura,
Rumo ao nada deprime o ser no fundo.
Ao contemplar da noite o negro abismo,
Onde o vácuo se espalha, atroz deserto,
Treme, de pavoroso e cego cismo;
Pois a matéria escura, em seu mutismo,
Mantém o espaço em expansão, decerto,
Esgotando a razão num cataclismo.
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