segunda-feira, 25 de maio de 2026

EM FUNÇÃO DE UM REINO DOS FINS: RAZÃO E AUTONOMIA DE KANT A MARX ATRAVÉS DOS FRANKFURTIANOS AO CAPITALOCENO


Resumo: O presente estudo tem como objetivo articular os conceitos de razão e autonomia em Immanuel Kant, com foco na ideia do "reino dos fins", buscando aproximá-lo do materialismo histórico marxista como um horizonte normativo de emancipação. Nesse sentido, o projeto moral iluminista é problematizado sob uma perspectiva estrutural marxista, demonstrando como o conceito de alienação denuncia a inviabilidade da dignidade kantiana nos domínios da economia política capitalista. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa bibliográfica e de cunho teórico-filosófico que percorre o materialismo histórico de Marx e suas reinterpretações pela Escola de Frankfurt — em um primeiro momento com a crítica da razão instrumental de Adorno e Horkheimer e, subsequentemente, por meio do agir comunicativo de Jürgen Habermas. O núcleo da investigação discute os limites da agência racional, sustentando a hipótese de que não há autonomia civil ou pessoal possível quando o próprio sistema econômico se torna autônomo, irracional e incontrolável pela mera intervenção discursiva. Conclui-se que o enfrentamento dessa crise da agência racional exige tanto a denúncia da instrumentalização do humano pelo capital quanto a afirmação da práxis materialista como condição para uma emancipação real. Nesse horizonte, a inserção do conceito de Capitaloceno, em contraposição ao de Antropoceno, torna-se imprescindível para diagnosticar o esgotamento da sociabilidade contemporânea e recontextualizar criticamente a necessidade de um autêntico reino dos fins.


Palavras-chave: razão, autonomia, materialismo, marx, kant.


Introdução

O projeto da modernidade, fortemente impulsionado pelo Iluminismo, erigiu a razão e a autonomia como pilares fundamentais para a emancipação humana. Nesse contexto, a filosofia de Immanuel Kant representa o ápice do idealismo moral, propondo o horizonte de um "reino dos fins" — uma comunidade ideal de seres racionais que legislam universalmente e tratam a humanidade, em si e nos outros, sempre como fim, e nunca apenas como meio. Contudo, a transição do idealismo filosófico para a concretude das relações sociais históricas revelou profundas contradições no seio desse projeto emancipatório. O presente estudo tem como objetivo articular os conceitos de razão e autonomia em Kant para, em seguida, problematizá-los sob uma perspectiva estrutural marxista e frankfurtiana. Busca-se, com isso, retomá-los a partir da própria elaboração crítica histórico-materialista-dialética, a qual opera em duplo movimento: primeiro, como denúncia da instrumentalização e alienação do humano sob a égide do capital; e, segundo, como horizonte ético de superação material e concreta, viabilizando a práxis revolucionária como a única via capaz de efetivar historicamente o ideal do reino dos fins.

O problema central que norteia esta pesquisa reside na tensão irreconciliável entre a promessa de autonomia moral e política e a realidade material da sociedade capitalista. Ao deslocar o foco da moralidade pura para o materialismo histórico, a crítica de Karl Marx demonstra como a lógica da acumulação inerente à economia política engendra a alienação, transformando os sujeitos em meios para a valorização do valor. Nesse cenário, questiona-se: é possível sustentar a validade de um reino dos fins ou a autonomia da sociedade civil quando esta se encontra subsumida à racionalidade sistêmica do capital? A hipótese central defendida neste trabalho é a de que não há autonomia civil ou pessoal plena possível sob o atual paradigma estrutural. Argumenta-se que o próprio sistema econômico se tornou uma força autônoma, operando de forma irracional do ponto de vista do bem-estar humano e ecológico, e revelando-se incontrolável pela mera intervenção racional, moral ou discursiva.

Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa bibliográfica de cunho teórico-filosófico. A investigação traça uma genealogia crítica que parte do idealismo de Kant, atravessa o diagnóstico materialista de Marx e deságua nas reinterpretações da Escola de Frankfurt. Nesse último estágio, analisa-se a crítica da razão instrumental formulada por Theodor Adorno e Max Horkheimer, bem como a tentativa de reconstrução do materialismo histórico por meio da teoria do agir comunicativo de Jürgen Habermas, evidenciando os impasses contemporâneos da racionalidade.

Para dar conta deste percurso investigativo, o artigo está estruturado em cinco seções principais, além desta introdução e das considerações finais. A primeira seção, "O Reino dos Fins e a Razão Prática Kantiana", expõe o ideal de autonomia moral e os limites do projeto de paz perpétua. A segunda seção, "O Materialismo Histórico: Alienação e Acumulação em Marx", apresenta a antítese materialista, detalhando como as relações de produção obstam a emancipação. Em seguida, a terceira seção, "A Autonomia do Capital contra a Sociedade Civil", aprofunda o núcleo da hipótese, analisando o momento em que a economia se desgarra do controle humano.

A quarta seção, "A Escola de Frankfurt e os Limites do Discurso", retoma o debate pela lente da Teoria Crítica, tensionando a razão instrumental e avaliando a insuficiência do simples agir comunicativo para frear a dominação sistêmica. Por fim, a quinta seção, "O Capitaloceno como Crise da Agência Racional", atualiza o debate, demonstrando como a inviabilidade da autonomia civil culmina em um cenário de esgotamento socioambiental agudo, exigindo o uso do conceito de Capitaloceno para diagnosticar as atuais circunstâncias da sociabilidade humana. As considerações finais retomam o percurso analítico, confirmando o diagnóstico de esgotamento do modelo racional-intervencionista na atual quadra histórica.


  1.  PLANO METAFÍSICO, A RAZÃO E O REINO DOS FINS: RUMO À PAZ PERPÉTUA KANTIANA


O empreendimento filosófico kantiano é extenso e a sua compreensão exige observar o percurso de seu desenvolvimento intelectual, especificamente no que tange ao estatuto da metafísica. Antes de instaurar o seu célebre projeto crítico, Kant encontrava-se profundamente imerso na tradição racionalista forjada por Leibniz e Christian Wolff. Nesse período, conhecido como pré-crítico, a filosofia operava sob a crença dogmática de que a razão, operando inteiramente a priori e sem o auxílio da experiência, seria capaz de desvelar verdades absolutas sobre Deus, a imortalidade da alma e a totalidade do mundo. Embora a metafísica fosse historicamente coroada como a "rainha das ciências", ela vivia um momento de profundo descrédito, configurando-se, nas próprias palavras de Kant, como um "campo de batalhas sem fim", palco de embates estéreis entre o dogmatismo racionalista e o ceticismo empirista britânico.

O divisor de águas histórico no desenvolvimento desse empreendimento ocorreu quando a formulação cética de David Hume despertou Kant de seu famoso "sono dogmático". Hume demonstrou que conexões supostamente necessárias, como a causalidade, não derivavam da razão pura, mas do mero hábito empírico. Diante dessa crise, o verdadeiro projeto de Kant delineou-se não como a aniquilação da metafísica tradicional, mas como a sua refundação conceitual, a fim de que ela pudesse, finalmente, trilhar o caminho seguro de uma ciência.

Contudo, Kant compreendeu que, para legitimar qualquer pretensão metafísica futura — seja no campo da natureza ou da moralidade —, era imprescindível instaurar, primeiramente, um "tribunal da razão". Tornava-se necessário investigar os limites e as possibilidades da própria faculdade humana de conhecer, garantindo que a razão não se perdesse em ilusões ao tentar legislar sobre o que está além da experiência empírica. Foi justamente dessa exigência preparatória e crítica para salvar o projeto metafísico que adveio sua virada epistemológica mais radical.

Esse movimento de "Revolução Copernicana", inaugurado com a publicação da Crítica da Razão Pura (1781), operou uma inversão metodológica ao estabelecer que não é o sujeito que orbita passivamente em torno dos objetos do conhecimento, mas sim os objetos que devem se conformar às estruturas a priori da faculdade de conhecer do sujeito. Essa obra estabeleceu os limites estritos do conhecimento humano, demonstrando que a razão teórica não pode alcançar o plano numênico (a "coisa em si"). No entanto, é exatamente ao interditar o saber teórico dogmático que Kant abre espaço para a afirmação da liberdade no domínio prático. A transição da metafísica especulativa para a fundamentação da moralidade é o que lhe permite erigir a sua arquitetônica da autonomia.

Para dar cabo a essa tarefa, o filósofo estabeleceu uma rigorosa divisão estrutural posterior: de um lado, a construção de uma metafísica da natureza, voltada às leis pelas quais tudo acontece; de outro, a elaboração de uma metafísica dos costumes, voltada às leis normativas segundo as quais tudo deve acontecer. Foi a esse segundo domínio que Kant dedicou a Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785), com o intuito de purificar a ética de qualquer resquício empírico, psicológico ou antropológico. O seu esforço consistia em isolar a razão pura prática para encontrar o princípio supremo da moralidade — o alicerce inabalável que permitiria conceber o ser humano como um legislador autônomo. No âmbito da razão prática, a autonomia desponta, portanto, como o conceito basilar da ética kantiana. Tanto na Fundamentação quanto, posteriormente, na Crítica da Razão Prática (1788), a autonomia é compreendida como a capacidade da vontade de ser lei para si mesma (auto-nomos), desvencilhando-se das inclinações empíricas, dos desejos sensíveis e das coerções externas (heteronomia). A verdadeira liberdade humana não reside na capacidade de fazer qualquer coisa, mas na de agir estritamente por dever, movido pelo respeito à lei moral universal, consubstanciada no Imperativo Categórico. É apenas na obediência à razão universal que o indivíduo se emancipa das amarras da natureza.

É a partir dessa premissa que Kant formula a ideia do "reino dos fins" (Reich der Zwecke). Trata-se de um ideal sistemático e normativo no qual todos os seres racionais estão unidos por leis objetivas comuns. Nesse arranjo ideal, cada sujeito racional atua simultaneamente como legislador universal e como súdito dessas mesmas leis. O imperativo que rege esse reino exige que a humanidade — tanto na própria pessoa quanto na pessoa de qualquer outro — seja tratada sempre como um fim em si mesma, e nunca como um mero meio. O reino dos fins é a culminação máxima da ética iluminista: uma comunidade puramente racional onde a dignidade intrínseca de cada indivíduo é o valor absoluto, não havendo espaço para a instrumentalização do ser humano.

Por fim, essa concepção moral profunda encontra seu desdobramento político e histórico-teleológico no ensaio À Paz Perpétua (1795). Para Kant, a razão prática não se limita ao indivíduo isolado; ela possui uma exigência cosmopolita. A guerra e o conflito entre as nações representam o estado de natureza, dominado pelas paixões e pela irracionalidade. A razão, enquanto faculdade moral, impõe o dever de abandonar esse estado de barbárie em direção a uma federação de Estados livres, regida pelo direito cosmopolita. A paz perpétua não é vista como uma utopia ingênua, mas como um fim regulativo da história, uma meta em direção à qual a humanidade deve caminhar sob a orientação de suas disposições racionais. Contudo, a grandeza do projeto kantiano reside no plano estritamente formal e ideal. O reino dos fins e a paz perpétua operam como princípios regulativos (dever-ser) fundamentados em uma abstração do sujeito empírico. Kant pressupõe que a agência racional tem força suficiente para superar a materialidade do mundo e as contingências da vida social. É justamente essa cisão entre a forma racional abstrata e o conteúdo material concreto que o idealismo alemão posterior tentará resolver, e que encontrará sua crítica mais radical no pensamento de Karl Marx. Quando os ideais de autonomia e do reino dos fins são confrontados com as contradições do modo de produção capitalista, a promessa da emancipação racional colide frontalmente com a realidade da alienação, exigindo uma reavaliação completa da agência humana sob a égide do materialismo.


  1. O MATERIALISMO HISTÓRICO: ALIENAÇÃO E ACUMULAÇÃO EM MARX


Se o projeto iluminista de Kant atinge o seu ápice ao elevar o ser humano à condição de legislador universal no reino dos fins, a crítica de Karl Marx opera uma ruptura radical com esse paradigma ao expor a fratura entre o idealismo moral e a concretude das relações sociais. Para Marx, a abstração do sujeito empírico — exatamente o que garantiu a pureza da metafísica dos costumes kantiana — é o sintoma de uma filosofia que ignora as bases reais da dominação. A tese materialista inverte a premissa idealista: não é a consciência (ou a razão pura) que determina a vida, mas é a vida material e o modo de produção que determinam a consciência.

O diagnóstico marxiano revela que a promessa kantiana de que o ser humano não deve jamais ser tratado como um simples "meio" choca-se frontalmente com a realidade do modo de produção capitalista, no qual a instrumentalização do indivíduo não é um desvio moral, mas a condição estrutural de funcionamento do sistema. Essa crítica começa a ganhar seus contornos ontológicos nos Manuscritos Econômico-Filosóficos (1844), obra em que Marx desenvolve o conceito central de alienação (Entfremdung).

Sob a vigência do trabalho assalariado e da propriedade privada dos meios de produção, a autonomia é concretamente aniquilada. Marx desmembra a alienação em quatro dimensões interligadas que corroem qualquer possibilidade de um reino dos fins: a) Alienação em relação ao produto do trabalho: O objeto que o trabalhador cria não lhe pertence; ergue-se diante dele como uma força estranha e hostil que o domina; b) Alienação no próprio ato da produção: O trabalho deixa de ser a afirmação da essência humana e torna-se um fardo forçado, um meio de mera sobrevivência onde o indivíduo não se sente livre, mas mecanizado; c) Alienação quanto à "essência genérica" (Gattungswesen): A capacidade racional e criativa, que Kant via como a marca da dignidade humana, é degradada. O humano é reduzido à sua dimensão animal, lutando apenas pela subsistência física; d) Alienação em relação aos outros seres humanos: Quando os sujeitos estão alienados de sua própria essência e de seu trabalho, a relação mútua torna-se de competição e exploração, aniquilando a base da comunidade universal proposta por Kant. 

Portanto, a alienação não é um erro de julgamento que a razão prática possa corrigir por meio de um imperativo categórico, mas uma condição imposta pela estrutura econômica. Contudo, é em sua obra de maturidade, notadamente n’O Capital (1867), que Marx (2023) disseca a mecânica dessa engrenagem impessoal que subjuga a agência racional: a lógica de acumulação. No capitalismo, a finalidade da produção não é o atendimento das necessidades humanas ou a realização moral, mas a valorização do valor — expressa na fórmula geral do capital (Dinheiro - Mercadoria - Mais Dinheiro). Essa busca incessante pela extração de mais-valia transforma o próprio capital em um "sujeito automático". O sistema opera sob leis de coerção objetiva que forçam tanto o trabalhador a se vender como mercadoria, quanto o capitalista a acumular incessantemente para não ser engolido pela concorrência.

Nesse contexto, a autonomia iluminista revela-se uma ilusão formal. Como falar em "paz perpétua" ou em um "reino dos fins" quando a própria base material da sociedade civil exige que a esmagadora maioria da humanidade seja estritamente um meio para a reprodução do capital? Em Marx, a verdadeira autonomia só pode ser alcançada por meio da práxis revolucionária que supere as relações materiais de exploração e retorne, por assim dizer, a uma lógica da razão, dedicada a atribuir “a cada qual, segundo a sua capacidade; a cada qual, segundo as suas necessidades” (Marx, (2012, p. 16). A liberdade formal da ética kantiana é substituída pela exigência de uma emancipação real, material e histórica.

Contudo, a evolução do capitalismo demonstrou que essa racionalidade econômica adquiriu contornos de dominação ainda mais totalizantes do que aqueles previstos no século XIX, engolindo a própria sociedade civil em sua autonomia — um impasse que exigirá a leitura atenta da Teoria Crítica posterior.


  1. A AUTONOMIA DO CAPITAL CONTRA A SOCIEDADE CIVIL


Se a filosofia de Kant fundamentou-se na premissa de que a razão deveria libertar a humanidade da heteronomia das forças naturais e despóticas, o aprofundamento das relações capitalistas evidenciou uma inversão trágica desse ideal. O desdobramento histórico da crítica de Marx demonstra que a alienação não apenas aparta o ser humano de sua essência, mas engendra uma nova forma de dominação estrutural: a emancipação do próprio capital em relação aos seus criadores. É neste ponto que reside o núcleo da hipótese deste estudo: não há autonomia civil ou pessoal possível nas atuais circunstâncias porque a economia política, esfera originariamente criada pela práxis humana, tornou-se ela própria um sistema autônomo, impessoal e coercitivo. 

O mecanismo fundamental dessa inversão encontra-se na teoria do fetichismo da mercadoria, delineada no Livro I d'O Capital. No modo de produção capitalista, as relações sociais entre os indivíduos assumem a forma fantasmagórica de uma relação material entre coisas. O mercado passa a ser percebido como uma segunda natureza, regido por leis cegas e inexoráveis que se impõem aos sujeitos como forças do destino. Ao descrever o capital como um "sujeito automático", Marx expõe a impossibilidade do sujeito racional kantiano. A teleologia moral do reino dos fins é substituída pela teleologia cega da valorização do valor. O capital não atende aos apelos da razão prática; sua única racionalidade é a da expansão infinita.

Diante dessa engrenagem, a sociedade civil — que em formulações liberais e hegelianas clássicas era concebida como o espaço da liberdade privada, do direito e da deliberação — perde a sua capacidade de autodeterminação. A lógica da acumulação transborda as fronteiras da fábrica e instaura uma subsunção real de todas as esferas da vida social. A cultura, a política, as instituições jurídicas e até mesmo as relações interpessoais passam a ser codificadas pela forma-mercadoria. Esse processo de reificação (coisificação) da vida social significa que os imperativos sistêmicos da economia se sobrepõem às deliberações morais da sociedade. O cidadão é reduzido ao consumidor e à força de trabalho, despido de qualquer agência real que possa desviar o curso da engrenagem macroeconômica.

Evidencia-se, assim, um paradoxo central da modernidade tardia: o sistema capitalista é sustentado por uma hiper-racionalização técnica e administrativa de seus meios (otimização de lucros, algoritmos de mercado, logística de exploração), mas é profundamente irracional em seus fins. Do ponto de vista humano e socioambiental, é um sistema incontrolável, que exige crises cíclicas, desigualdade estrutural e degradação da natureza para continuar operando. A autonomia pretendida por Kant exige que o ser humano paute suas ações por fins racionais; a realidade material, contudo, subsume-se a humanidade a uma máquina de acumulação que não possui qualquer fim moral.

Quando o sistema econômico se desgarra do controle consciente da sociedade civil e passa a ditar as regras da reprodução social, as ferramentas clássicas da intervenção racional — sejam elas a reforma política, a ética individual ou a legislação estatal formal — revelam-se dramaticamente insuficientes. É exatamente o reconhecimento da impotência do sujeito iluminista diante da totalidade sistêmica do capital que forçará a teoria social a um novo patamar de radicalidade metodológica. Diante de um sistema irracional, a própria razão precisa ser colocada sob suspeita, tarefa que será assumida de forma implacável pela Escola de Frankfurt ao investigar os limites da racionalidade instrumental e os impasses do discurso.


  1.  A ESCOLA DE FRANKFURT E OS LIMITES DO DISCURSO (AGIR)


O diagnóstico marxiano de que o capital se erigiu como um "sujeito automático" legou ao pensamento crítico do século XX um desafio formidável: compreender como a dominação estrutural se aprofundou mesmo diante do avanço das democracias formais e das conquistas tecnológicas. A Escola de Frankfurt, em sua primeira e segunda gerações, assume a tarefa de atualizar o materialismo histórico, deslocando parte da crítica da economia política pura para a crítica da própria racionalidade ocidental. Se a promessa kantiana era a emancipação pela razão, os frankfurtianos demonstram que foi a própria estrutura da razão que foi colonizada pela lógica da mercadoria.


4.1 A Razão Instrumental em Adorno e Horkheimer


A primeira geração da Escola de Frankfurt, tendo como expoentes máximos Max Horkheimer e Theodor W. Adorno, promove uma crítica devastadora ao projeto iluminista. Na obra Dialética do Esclarecimento (1947), os autores defendem a tese de que o Esclarecimento — cujo objetivo kantiano era libertar os homens do medo e investi-los na posição de senhores de seu próprio destino — converteu-se em uma nova forma de barbárie e mitologia. Assim, o fracasso do projeto da modernidade não ocorreu por um desvio acidental, mas por uma dialética imanente à própria razão burguesa. Horkheimer (2015), ao investigar o "eclipse da razão", diferencia a razão objetiva (que buscava os fins últimos, a verdade e a justiça, reminiscente do reino dos fins kantiano) da razão instrumental (ou subjetiva). Sob o jugo do capitalismo avançado, a razão foi despojada de seu conteúdo ético e normativo, sendo reduzida a um mero instrumento de cálculo, adequação de meios a fins e domínio sobre a natureza e sobre os homens.

A razão instrumental não questiona a validade dos fins de um sistema; ela apenas otimiza os meios para alcançá-los. Dessa forma, a racionalidade administrativa e técnica que organiza a produção capitalista em massa — e que culmina no que Adorno chama de "sociedade administrada" — suprime qualquer espaço para a autonomia moral. O indivíduo, que Kant imaginava como um legislador universal, torna-se um mero átomo perfeitamente ajustado e calculável dentro da engrenagem da indústria cultural e do consumo. A instrumentalização converteu a razão, antes promessa de libertação, no principal grilhão que perpetua a alienação de forma sofisticada e totalizante, esvaziando a capacidade da sociedade civil de conceber uma alternativa fora da lógica da reprodução do capital.

O aprofundamento dessa crítica pela primeira geração da Escola de Frankfurt atinge o próprio cerne da subjetividade e da cultura. Se em Marx a alienação encontrava-se prioritariamente enraizada na esfera da produção e na expropriação material do trabalho, em Adorno e Horkheimer a dominação estende-se à totalidade da vida psíquica. Por meio do conceito de "Indústria Cultural" — termo cunhado para evitar a leitura ingênua de uma arte surgida espontaneamente das massas —, os autores demonstram que o tempo livre, o entretenimento e a fruição estética foram subsumidos pela mesma lógica da linha de montagem. A consciência do indivíduo é massificada, mercantilizada e padronizada, obliterando a capacidade de reflexão autônoma que Kant pressupunha como condição sine qua non para a agência moral. No interior dessa "sociedade administrada", o sujeito tem sua imaginação engessada e perde a capacidade de conceber um mundo diferente daquele ditado pela reprodução do capital, aceitando a realidade opressiva como uma segunda natureza inalterável.

Consequentemente, o diagnóstico frankfurtiano inicial deságua em uma profunda aporia filosófica e política. Ao denunciarem que a própria matriz da razão ocidental carrega o germe da dominação, Adorno e Horkheimer parecem fechar as portas para o projeto emancipatório. Se a razão objetiva (voltada aos valores morais e aos fins últimos) foi eclipsada, e a razão instrumental (cega aos fins, voltada apenas à dominação) tornou-se a ferramenta de controle inquestionável do "sujeito automático" capitalista, esvai-se o fundamento para qualquer libertação que dependa da racionalidade. A Teoria Crítica atinge, nesse momento, uma negatividade radical: resta-lhe apenas a denúncia implacável de um sistema totalizante onde a ideia de um "reino dos fins" soa não mais como um horizonte histórico viável, mas como uma relíquia utópica esmagada pelo peso da reificação generalizada.

Diante desse pessimismo paralisante, o desenvolvimento do escopo crítico exigiu uma reformulação metodológica drástica para não sucumbir ao fatalismo ou ao irracionalismo pós-moderno. É exatamente para tentar superar esse impasse deixado pela primeira geração que desponta, posteriormente, a figura de Jürgen Habermas. Buscando resgatar a promessa emancipatória da modernidade iluminista sem ignorar o diagnóstico brutal de Adorno e Horkheimer, a segunda geração da Escola de Frankfurt operará uma profunda mudança de paradigma. A tentativa de salvar a racionalidade da "jaula de ferro" da instrumentalidade exigirá o abandono da tradicional filosofia da consciência em prol de uma "virada linguística", abrindo espaço para a formulação de um novo horizonte deliberativo que será estruturado na teoria do agir comunicativo.


4.2 Habermas e os impasses do Agir Comunicativo


Jürgen Habermas, representante da segunda geração da Escola de Frankfurt, empreende um esforço monumental para resgatar o potencial emancipatório da modernidade por meio da reconstrução do materialismo histórico. Em sua obra Para a Reconstrução do Materialismo Histórico (1976), Habermas parte da convicção de que a teoria marxista clássica, embora seja a ferramenta analítica mais poderosa para diagnosticar as patologias do capitalismo, padece de um grave déficit normativo. O autor argumenta que Karl Marx limitou-se ao reduzir a práxis humana prioritariamente à dimensão do trabalho (poiesis), ou seja, à ação instrumental sobre a natureza. Ao focar quase exclusivamente no desenvolvimento das forças produtivas, o marxismo ortodoxo — e, posteriormente, a própria primeira geração de Frankfurt, que avaliou a razão unicamente por sua face instrumental — obscureceu a evolução paralela das estruturas normativas e intersubjetivas da sociedade.

Para reconstruir o materialismo, Habermas postula que a evolução social exige o desenvolvimento da racionalidade em duas frentes analiticamente distintas: o trabalho (ação racional com respeito a fins) e a interação (ação comunicativa). O resgate da razão exige, portanto, libertá-la do monopólio da técnica. É precisamente neste ponto que o empreendimento habermasiano revela-se como uma tentativa de reconstruir a razão em função do "reino dos fins" kantiano. Compreendendo que, sem um critério normativo universal, a revolução material pode descambar para o totalitarismo burocrático, o autor realiza uma "destranscendentalização" da ética de Kant. O sujeito metafísico isolado dá lugar ao plano imanente da linguagem cotidiana, e a autonomia moral kantiana é traduzida sociologicamente para o conceito de "situação ideal de fala".

Segundo a pragmática universal de Habermas, ao engajar-se em um discurso autêntico visando ao entendimento, os indivíduos pressupõem contrafactualmente uma situação livre de coerções externas e internas, na qual prevalece exclusivamente a "coação sem coações do melhor argumento". O imperativo categórico de tratar a humanidade sempre como fim encontra, assim, sua versão discursiva: na ação comunicativa genuína, o "outro" não é um meio para um êxito estratégico, mas um interlocutor cujas pretensões de validade devem ser respeitadas. A luta pela superação do capitalismo torna-se, consequentemente, uma disputa pelo destravamento dessa racionalidade.

Essa concretização procedimental do reino dos fins é formalizada na Teoria do Agir Comunicativo (1981), na qual Habermas propõe uma cisão ontológica da sociedade moderna em duas esferas: o Sistema e o Mundo da Vida (Lebenswelt). O Sistema (Estado burocrático e economia de mercado) opera legitimamente sob a racionalidade instrumental, tendo o dinheiro e o poder como linguagens. Em contrapartida, o Mundo da Vida — espaço da cultura e da solidariedade — é regido pela racionalidade comunicativa. O diagnóstico crítico da contemporaneidade reside na "colonização do Mundo da Vida", momento em que a lógica sistêmica do consumo invade as esferas do debate público e das relações privadas. A aposta habermasiana é a de que um Mundo da Vida discursivamente articulado poderia agir como uma eclusa, filtrando democraticamente os imperativos do Sistema.

Contudo, ao confrontarmos a monumental arquitetura conceitual de Habermas com a materialidade da acumulação capitalista — conforme delineado na hipótese central deste estudo —, revelam-se os profundos impasses do agir comunicativo. A crença de que a sociedade civil pode, via deliberação racional, domar um sistema econômico autônomo esbarra na assimetria de poder apontada por Marx: a racionalidade discursiva é desprovida de força coercitiva material. A "situação ideal de fala" exige simetria de poder e tempo, elementos que a aceleração algorítmica e a valorização implacável do capital inviabilizam em um cenário de Capitaloceno. Quando a economia globalizada opera, a deliberação ética nas esferas públicas é frequentemente atropelada por chantagens estruturais, como fugas de capitais e exigências de austeridade. A tentativa de retomar um análogo ao reino dos fins pela via discursiva demonstra-se, portanto, impotente diante de um sistema que corrói as bases da intersubjetividade livre e que não dialoga, mas apenas opera para acumular.


  1. O CAPITALOCENO COMO CRISE DA AGÊNCIA RACIONAL


A insuficiência do agir comunicativo habermasiano diante da materialidade coercitiva do capital nos conduz ao estágio final e mais agudo do diagnóstico deste estudo: o colapso contemporâneo da agência racional. Se o projeto da modernidade iluminista prometia a subordinação da natureza e da sociedade aos ditames da razão humana, a quadra histórica atual atesta a inversão absoluta dessa premissa. O sistema econômico não apenas se emancipou do controle civil, como também se transmutou em uma força de magnitude geológica, impondo a urgência de uma reavaliação categorial sobre a época em que vivemos.

Nesse contexto, o debate ecológico e sociológico recente popularizou o termo "Antropoceno" para designar a era em que a humanidade se tornou a principal força de transformação do planeta. Contudo, sob a ótica do materialismo histórico, essa nomenclatura padece do mesmo vício formalista que Marx criticava na abstração moral de Kant: ao culpar um Anthropos genérico (a "humanidade" abstrata), o conceito oculta as relações estruturais de produção e isenta a verdadeira engrenagem causadora da crise. Por esse motivo, adota-se aqui a formulação de Jason W. Moore (2016), que substitui o termo por “Capitaloceno”. A tese central de Moore é a de que não foi o ser humano, enquanto espécie dotada de razão prática, que exauriu a biosfera, mas sim a lógica histórica específica da acumulação incessante de capital e sua ontologia da "natureza barata". O Capitaloceno é o marco histórico em que a racionalidade instrumental, analisada pelos frankfurtianos, atinge o seu ápice predatório, convertendo a teia da vida orgânica e as próprias relações sociais em mero combustível para a reprodução do valor.

É diante dessa maquinaria hiper-racional em seus meios — dominada por algoritmos de alta frequência, logística global de suprimentos e otimização extrativista —, mas profundamente irracional e suicida em seus fins, que se instaura a verdadeira crise da agência. O sujeito racional kantiano descobre-se materialmente paralisado. Contudo, essa paralisia não se dá apenas pela coerção física ou pela repressão estatal clássica, mas por uma profunda interdição psíquica e cultural que colonizou o próprio horizonte de expectativas da sociedade.

Para compreender a profundidade desse esgotamento da agência, é imprescindível mobilizar o conceito de Realismo Capitalista, cunhado pelo teórico britânico Mark Fisher (2020). Atualizando o diagnóstico da alienação de Marx e da Indústria Cultural de Adorno, Fisher descreve o realismo capitalista como a atmosfera ideológica difusa e insidiosa que engendra a crença de que o capitalismo não é apenas o único sistema político e econômico viável, mas que agora é sequer possível imaginar uma alternativa coerente a ele, ou seja, a possibilidade de um reino dos fins. Maximizando a célebre máxima de que "é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo", Fisher demonstra como a totalidade sistêmica bloqueou a imaginação utópica e uma cosmovisão não-instrumental.

Sob a égide do realismo capitalista, o "reino dos fins" kantiano deixa de ser um postulado moral orientador da práxis histórica para se converter em um delírio anacrônico incompreensível. A sociedade civil, despojada de sua capacidade de projetar futuros alternativos, internaliza a lógica mercantil como se esta fosse uma segunda natureza irrevogável — uma lei da física contra a qual não cabe deliberação discursiva, mas apenas adaptação individual e resiliência terapêutica. A colonização do Mundo da Vida, temida por Habermas, atinge aqui o estrato da própria ontologia do presente: o capitalismo cancela o futuro e impõe um eterno presente de acumulação e crise.

A interseção entre o Capitaloceno (a crise geológica e metabólica do capital) e o Realismo Capitalista (a crise imaginativa e cultural) decreta a falência da agência racional. A hipótese defendida neste estudo confirma-se na constatação empírica de que o verdadeiro agente histórico da contemporaneidade não é mais o sujeito moral autônomo, nem a classe trabalhadora auto-organizada e tampouco a esfera pública deliberativa, mas o próprio capital em seu movimento cego de autovalorização. O capital atua como um "sujeito automático" que desconsidera os limites metabólicos do planeta e a dignidade inegociável do indivíduo.

Portanto, o diagnóstico atual não é apenas de um déficit ético, mas de um esgotamento civilizatório. O apelo à mera intervenção racional abstrata — o apelo discursivo aos governos e corporações para que ajam com "responsabilidade" ou que respeitem o imperativo categórico — revela-se uma ingenuidade trágica diante da estrutura de incentivos do Capitaloceno. O resgate da autonomia e da razão prática, hoje, exige assumir o luto pelo projeto iluminista e reconhecer que qualquer tentativa de instaurar o reino dos fins não passará por consensos comunicativos no interior da ordem vigente, mas exigirá o rompimento prático, material e imaginativo com a totalidade do realismo capitalista.


  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS


O presente estudo propôs-se a investigar a viabilidade histórica e material do projeto de emancipação iluminista, consubstanciado no "reino dos fins" de Immanuel Kant, ao submetê-lo ao crivo da crítica estrutural marxista e frankfurtiana. O percurso genealógico traçado ao longo da pesquisa confirmou a hipótese central delineada na introdução: sob o atual paradigma da economia política capitalista, não há autonomia civil ou pessoal plena possível, uma vez que a racionalidade sistêmica do capital anulou a capacidade de agência e de autodeterminação da sociedade.

Ao deslocarmos o debate do idealismo moral para o materialismo histórico, evidenciou-se que a dignidade humana — o imperativo de não tratar o outro apenas como meio — é estruturalmente inviabilizada pela lógica da acumulação e pela alienação inerentes à forma-mercadoria. A promessa de autonomia kantiana, quando desprovida de uma crítica da economia política, revela-se uma abstração impotente diante da concretude das relações de exploração. O capital, erigido à condição de "sujeito automático", subordina a razão prática aos seus próprios fins de autovalorização infinita, invertendo a teleologia iluminista. A análise da Escola de Frankfurt demonstrou que essa dominação transcende o chão de fábrica, colonizando a própria estrutura da razão e da psique por meio da racionalidade instrumental e da Indústria Cultural. Ademais, constatou-se que a monumental tentativa de Jürgen Habermas de salvar o projeto moderno por meio do agir comunicativo, embora ofereça um refinado análogo procedimental ao reino dos fins, esbarra em limites intransponíveis. A deliberação discursiva, fundamentada na força do melhor argumento, demonstra-se materialmente desarmada para frear as coerções sistêmicas e irracionais de um mercado globalizado que não se submete a consensos éticos.

Por fim, a transposição do debate para o cenário contemporâneo, mediada pelos conceitos de Capitaloceno e Realismo Capitalista, radicalizou o diagnóstico. A crise atual não é meramente um desvio ético superável por reformas institucionais, mas um esgotamento civilizatório e metabólico profundo. A engrenagem capitalista bloqueou não apenas a ação política, mas a própria imaginação utópica, instaurando um presente perpétuo que interdita a concepção de alternativas à sua ordem.

Conclui-se, portanto, que a defesa contemporânea do reino dos fins exige o abandono de qualquer ingenuidade idealista ou reformismo estritamente discursivo. Para que a autonomia e a razão prática deixem de ser ficções normativas e se tornem vetores da história, é imprescindível assumir a radicalidade da práxis materialista. O resgate da dignidade humana inegociável pressupõe a ruptura estrutural com o Capitaloceno e o desmantelamento das bases materiais que sustentam a instrumentalização da vida. Somente a superação real das engrenagens da acumulação capitalista poderá pavimentar o terreno histórico no qual o ser humano possa, de fato, legislar sobre o seu próprio destino.


REFERÊNCIAS


ADORNO, Theodor W.; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Tradução de Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.


FISHER, Mark. Realismo Capitalista. São Paulo: Autonomia Literária, 2020.


HABERMAS, Jürgen. Teoria do agir comunicativo: racionalidade da ação e racionalização social. Tradução de Flávio Beno Siebeneichler. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2012.


HORKHEIMER, Max. Eclipse da razão. Tradução de Carlos Henrique Pescatori. São Paulo: Editora Unesp, 2016.


KANT, Immanuel. À paz perpétua: um projeto filosófico. Tradução de Bruno Nadai e Tiago Tranjan. Petrópolis: Vozes, 2020.


KANT, Immanuel. Crítica da razão prática. Tradução de Monique Hulshof. Petrópolis: Vozes, 2016.


KANT, Immanuel. Crítica da razão pura. Tradução de Fernando Costa Mattos. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 2015.


KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Tradução de Guido Antônio de Almeida. Petrópolis: Vozes, 2017.


MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. Tradução de Jesus Ranieri. São Paulo: Boitempo, 2010.


MARX, Karl. O capital: crítica da economia política. Livro I: o processo de produção do capital. Tradução de Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo, 2023.


MARX, Karl. Crítica ao Programa de Gotha. São Paulo: Boitempo, 2012.


MOORE, Jason W. (org.). Anthropocene or capitalocene?: nature, history, and the crisis of capitalism. Oakland: PM Press, 2016.


Nenhum comentário:

Postar um comentário