Como uma quilha corta as ondas
Atravesso com os dedos o teu corpo a fim do arrepio
Atravesso os dias e as noites por suspiros
Atravesso a história sendo isso, indefinido, sem poder fazê-lo
Numa lassidão erótica, em taquicardias frenéticas
Querendo a vida em terra morta, desejando o devir no ruir
Atravessando minha própria subjetividade ao fazê-la
Ao vê-la feita cotidianamente por outros, que não eu
Assustando-me com fantasmas entusiasmantes
Atravessando as palavras e ideias que não são minhas
Acreditando realizar algo, que inevitavelmente se transforma
Cientificando-me de não ter controle de nada
Conscientizando-me de não ser senhor de minha própria casa
Atravessando o tempo nesse espaço de eventos
Num mar sem fim que se estende em todas as direções
Nadando enquanto aprendo a nadar
Como uma quilha corta as ondas
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