quinta-feira, 21 de maio de 2026

Como uma quilha corta as ondas

Como uma quilha corta as ondas

Atravesso com os dedos o teu corpo a fim do arrepio

Atravesso os dias e as noites por suspiros

Atravesso a história sendo isso, indefinido, sem poder fazê-lo

Numa lassidão erótica, em taquicardias frenéticas

Querendo a vida em terra morta, desejando o devir no ruir

Atravessando minha própria subjetividade ao fazê-la

Ao vê-la feita cotidianamente por outros, que não eu

Assustando-me com fantasmas entusiasmantes

Atravessando as palavras e ideias que não são minhas

Acreditando realizar algo, que inevitavelmente se transforma

Cientificando-me de não ter controle de nada

Conscientizando-me de não ser senhor de minha própria casa

Atravessando o tempo nesse espaço de eventos

Num mar sem fim que se estende em todas as direções

Nadando enquanto aprendo a nadar

Como uma quilha corta as ondas

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