Chove no asfalto uma tristeza fria,
Que o tédio humano tece sem pudor.
Mas eis que rasga a pálida agonia,
Pétala a pétala, uma estranha flor.
Não tem o aroma lânguido da arte,
Nem chora ao som do rouco violão.
É a rosa feia, a rosa que se parte,
Pulsando a dor de toda a multidão.
Nascida em náusea, ao sopro do lamento,
Tem sangue e luto em cada cicatriz,
Banhada num outonal e vago alento.
E embora o tempo marche tão escuro,
Rompe do povo, indômita e motriz:
A rosa rubra e viva do futuro.
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