quarta-feira, 20 de maio de 2026

A Rosa do Povo

Chove no asfalto uma tristeza fria,

Que o tédio humano tece sem pudor.

Mas eis que rasga a pálida agonia,

Pétala a pétala, uma estranha flor.


Não tem o aroma lânguido da arte,

Nem chora ao som do rouco violão.

É a rosa feia, a rosa que se parte,

Pulsando a dor de toda a multidão.


Nascida em náusea, ao sopro do lamento,

Tem sangue e luto em cada cicatriz,

Banhada num outonal e vago alento.


E embora o tempo marche tão escuro,

Rompe do povo, indômita e motriz:

A rosa rubra e viva do futuro.

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