Cuspido e escarrado ou esculpido em Carrara,
Ergue-se o engano em mármore fingido;
Tal qual verdade, austero e bem urdido,
Mas traz no seio a farsa que o ampara.
Confunde o senso e a forma que se encara,
No jogo dúbio, astuto e dividido;
Senhor e escravo em pêndulo pendido,
Quimera vã que a razão repara.
Na transubstanciação, a face se duplica,
E o ser, que em si buscara identidade,
Perde-se em véu que vela e não revela.
Trama sutil que aos olhos dá o erro,
Que a miopia não vê — e à coisa imprime
O caráter fetichista e o seu segredo.
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