segunda-feira, 16 de março de 2026

Poema-Máquina

 

Solto

o freio.


A embreagem

cede.


Engato

a marcha.


Piso —


no acelerador.


E o carro

obedece

ao milagre

domado


da combustão.



Coloco

cápsulas

no tambor.


Giro —


o revólver

engata

o destino.


Aperto

o gatilho —


explode


a pequena

teologia

da pólvora.



Termodinâmica!


Teu evangelho

arde

nos pistões.


Automação!


Teu pulso

atravessa

cabos,

satélites,

telecomunicações.


O transporte

das massas

lateja

nas artérias

de aço

do planeta.



Bioquímica.


Laboratórios

cozinhando

a própria vida.


Ciências todas

martelando

a bigorna

do real.



E o maior milagre —


não é o motor.


Não é o raio

domado

no fio.


É


o milagre

das mulheres,

dos homens

e daqueles

que não o são.


Ciborgues

erguendo,

com mãos frágeis,


máquinas

capazes


de refazer


a natureza


à sua

imagem

e semelhança,


como outrora.


Máquinas

de inteligências artificiais

interrogando-nos

como o diabo:


— E então,

o que quereis?

2 comentários:

  1. O homem sem instinto filosófico vê no mundano a possibilidade de transmutação em poesia apenas quando aquilo confere uma espécie de valor, no caso, quando as obras poéticas possuem cada vez mais a mecanização do dia-a-dia em consideração. Então este sentimento, por não ser natural, por necessitar de um processo fastidioso pra simular aquilo que para alguém talentoso já é próprio, eu vejo este impropério em forma de escrita, melhor que não seja em forma melódica.

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    1. Ó adolescente virgem desocupadíssimo. Te respondo aqui pela primeira e única vez, para que entendas a motivação de teu ódio tão desocupado. Tu és o adolescente virgem que se apaixonou por uma moça em joguinhos infantis de internet, moça com a qual não tive nada, apenas ajudei um dia bêbada. Mas tu, stalker e desocupado, totalmente sexualmente desestabilizado, e adolescente que és, confundiu-a com outra amiga minha e acreditou que era uma relação às escondidas. Veja bem: já que não consultaste teu analista, me odeias pois fracassaste sexualmente com a menina que achaste que eu estava me relacionando. Sabes que moro em Curitiba, poderias me ver e dizer isso tudo pessoalmente, mas late de tua casinha sob véus da anonimidade. Pois bem, adolescente de Brasília, pseudo drogado que decepciona os pais constantemente e sem trabalho, achas-te filósofo, tendo aparentemente doze anos de idade; também achas-te crítico de literatura. Não me proponho a escrever coisas mais elevadas a todo momento, vejo nisso que faço uma demanda experimental, não te considero alguém de quem queira ouvir algo. Não considerei avisar sua mamãe que o filho dela, já decepcionante, está incomodando na internet. Tenho de dizer o que tua breve inteligência não te permitiu perceber até agora: tua opinião nada me importa, segue teu destino.

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