quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Ofício Capital

Escritório que me arranca o tempo inteiro

E a força de viver o que eu queria,

Que rouba, dia a dia, o meu canteiro

Onde o desejo em flor ainda surgia.


Guardo no peito, feito um jardineiro,

O sonho que cultivo e que me guia;

Busco fazer de tudo, honesto e inteiro,

Mas tudo custa mais do que devia.


No fim da tarde, exausto, já vencido,

Vejo o tempo escorrer, pobre e mesquinho:

O sangue foi sugado, consumido,

Por vampiros do preço de um destino,


Nesse ofício sisífico, Ulysses de um dia,

Moderno herói, vai fulminar a monotonia!


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