No atrito vivo das ideias opostas,
Onde a razão se afia em contradição,
Vai-se depurando a antiga ilusão
Que aos olhos prende em formas mal dispostas.
Cada negação, que o espírito encosta
Ao muro firme de outra afirmação,
Não visa à ruína, mas à ascensão
De um claro acordo entre verdades postas.
Assim caminha o pensamento austero,
Negando e erguendo, em círculo fecundo,
Até tocar o centro que não erra:
Pois toda ideia, ao fim do seu roteiro,
Descobre, ao se perder no mundo inteiro,
Que amar é a síntese de toda a vida.
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