sábado, 13 de dezembro de 2025

De que Vale a Vanguarda?

Quisera eu a vida em linhas retas,

Como quem soma e encerra o dia,

Sem sobressaltos, sem arestas,

Sem o excesso que nos desvia.


Mas ela insiste em nós oblíqua,

Em nós se dobra e se desfaz;

Cada escolha é sempre ambígua,

Cada passo perde a paz.


O gesto simples se complica,

O sim carrega um não oculto,

E o tempo, lento, nos explica

Que viver é sempre um tumulto.


Não há fórmula que baste,

Nem manual para existir;

Resta aceitar que o contraste

É o preço exato de sentir.


Quisera a oportunidade,

e defronte vejo a solidão;

mil contas a pagar me cercam,

do homem, hercúlea função.


Quisera tempo para a vida,

mas tenho o tempo ao trabalho;

o dia passa em dívida antiga,

e o corpo cede ao próprio talho.


Quisera um fado mais benévolo,

talvez o futuro permita;

pois de que vale estar à frente do tempo,

quando o presente nos limita?

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