sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Uma Greve Contra a Morte

Todos nós devidamente bêbados, volto da pista, sento-me ao vosso lado — de minhas amigas, e sobretudo de minha musa. A fumaça do cigarro alheio mistura-se ao suor da noite, e, com a eloquência caricata de um Robespierre de bar, ergo a voz:

— A Morte é uma coisa bizarra, não é mesmo? Como fomos capazes de aceitá-la? Como ninguém jamais se insurgiu contra ela? Nem os juristas, nem o departamento de filosofia. Nenhuma greve foi feita!

Sorrio, inflamado de delírio e álcool, e concluo:

— Façamos uma greve de vida contra a morte.

O silêncio que se segue não é de reprovação, mas de encantamento. Há um instante em que cada olhar, mesmo embaciado pelo vinho barato, parece cogitar a insubordinação. A ideia, absurda e poética, paira sobre a mesa como uma bandeira improvisada.

Uma das amigas ri, outra me olha com a seriedade de quem gostaria de acreditar. Minha musa, porém, encosta o queixo na palma da mão e, com aquele gesto preguiçoso de deusa entediada, pergunta:

— E como seria essa greve, meu tribuno? Cruzar os braços diante da foice? Recusar o sono, que é o ensaio da morte?

Vacilo, mas a embriaguez me sustenta:

— Seria viver ao excesso, ao riso, ao desejo. Se divertir sem remorso, amar sem cálculo, dançar até a madrugada se esgotar. Uma recusa jubilosa, não um protesto triste. Uma insurreição que não pede reforma, mas se afirma.

Ela sorri de canto, como quem sabe que nenhuma revolução jamais começa senão em mesas assim, entre copos vazios e frases desmedidas.

— Divertir-se! Eis o único decreto verdadeiro. Viemos à vida para isso. O resto é invenção de padres, patrões e filósofos tristes.

Minhas palavras, atravessadas de insolência e ternura, flutuam entre nós. Alguns gargalham, outros se calam, mas minha musa me beija, mantém os olhos em mim, olhos que cintilam como se perguntassem em silêncio: terias coragem de viver de fato assim, sem pedir desculpas ao mundo?

— Foi o Luis Fernando Verissimo que disse que não concordava com a morte? Questiono. Pois é, morreu ontem. Lúcido, também disse: vou morrer sem realizar o meu grande sonho: não morrer nunca.

Sento-me de novo, o copo entre os dedos, e percebo que o riso agora tem um gosto estranho, misturado de admiração e melancolia. A vida, que até pouco antes parecia um manifesto só nosso, escapa em lembretes sutis: escritores, amigos, ídolos, todos encolhendo-se diante da inevitabilidade, todos nos deixando pequenas frestas de absurdidade e futilidade.

Minha musa olha para mim, e no seu silêncio cabe a mesma pergunta que paira no ar desde sempre: para que todo esse furor, se a morte nos espera como espectro inevitável?

Mas eu, ainda com a embriaguez do delírio e da urgência, suspiro e digo, quase para mim mesmo:

— Pois é, e é justamente por isso que devemos rir mais alto, amar mais forte, dançar sem pensar. Que o inevitável nos encontre em pleno êxtase, em total insurreição. Que a morte nos veja vivos, e inveje.

A noite avança, as vozes se confundem, a música explode, e mesmo sabendo que amanhã, ou daqui a minutos, o mundo reclamará de nós, continuamos — talvez em desafio, talvez em pura necessidade — a nossa greve contra o que não se explica.

2 comentários:

  1. This is utter garbage. Assuming that you read all the books you pose yourself with, you surely don't have the mental capacity, you know, that basic function of pattern recognition, to produce something that resembles poem or prose. This is a laughable satire. Why do you overcompensate? Is it because you look like a demonic fiend? You must feel like one, too, given the things you do at your leisure. Don't worry, we know very well. And we might make sure all your friends in your inner circle knows as well! How about it?
    I think that, the real act of repentance is the stuff you write. Not only in content, but... good GOD! How old are you?
    I think that the issue lies not in age, but in content (or rather, lack of it). Gray matter. Ethereal matter: you are souless.

    Joyce wrote Portrait in his early twenties, I presume. You've published (HOW??!) an utter worthless book that no one has read in your mid 20's. And you have the gall to have this dross attached to your name!
    Do the ladies you so painfully try to supply your lack of maternal love asks for your autograph? I know you are the kind that dreams of such things. Do they know you as an "artist"? As anything? But how? You are nothing. You know it. Let me remind you of this forever, until it becomes very much clear, and then so very obvious, then you will be no more.
    There is a character, indeed. Let's make sure that character gets murdered. But before it, we will torture it. We will make it bleed.

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