domingo, 15 de junho de 2025

Tateando a escuridão de meu interior

Tateio em mim, sem luz, como um errante,

Por corredor sem fim, de sombra feito.

No peito ecoa um som inquietante,

Que grita o nome oculto do meu jeito.


Caminho em vão por becos de ilusão,

Tateando os muros d’alma em desalinho;

Pois cada dor, que acende a escuridão,

É lâmina a cortar-me o próprio ninho.


Que abismo é este, em mim tão conhecido,

Por névoas velado, cheio de temor?

Sou labirinto ao tempo prometido,


Sou meu carrasco e vítima em pavor.

Mas sigo, pois em mim, é conhecido

que de minha própria alma não sou senhor.

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