Tateio em mim, sem luz, como um errante,
Por corredor sem fim, de sombra feito.
No peito ecoa um som inquietante,
Que grita o nome oculto do meu jeito.
Caminho em vão por becos de ilusão,
Tateando os muros d’alma em desalinho;
Pois cada dor, que acende a escuridão,
É lâmina a cortar-me o próprio ninho.
Que abismo é este, em mim tão conhecido,
Por névoas velado, cheio de temor?
Sou labirinto ao tempo prometido,
Sou meu carrasco e vítima em pavor.
Mas sigo, pois em mim, é conhecido
que de minha própria alma não sou senhor.
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