segunda-feira, 23 de junho de 2025

No tempo estéril morre a juventude

No tempo estéril morre a juventude,

Vivem do mínimo, sem ter escolha.

O sonho é crime aos olhos da abastança,

E a dor herdada impõe-se por virtude.


Não têm direito ao teto ou ao sossego,

Pagam aluguel ao riso do senhor.

Trabalham muito, tendo o pouco negado —

Do esforço alheio se constrói o esplendor.


Enquanto isso, os filhos da fortuna

Brindam champanhe às custas da miséria,

Comem a vida em porcelana impuna

E acham justiça no fulcro hereditário.


São impostores — farsa bem vestida,

Mentem na tribuna e na televisão:

Dizem que é livre quem não tem a vida

Nem o futuro em sua própria mão.


Nos vendem curso, fé, meritocracia,

Nos dão conselhos sobre "empreender",

Mas vivem bem da velha hipocrisia

De herdar riqueza e nos fazer sofrer.


Ó geração transviada, injustiçada!

Que paga a guerra que jamais jurou,

És gado manso, porém sem manada,

Em terra seca que ninguém arou.


Talvez um dia surja o novo canto,

Do povo exausto em fogo reerguido,

E a juventude — antes silente e brando —

Seja a justiça em corpo renascido.


Mas hoje o mundo é deles — os senhores,

Com suas falas frias, dissimuladas;

E somos nós, de calos e rancores,

A classe morta em vidas estagnadas.

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