Abro o livro — e é tua mão que afaga,
vinda de longe, de outra vida, outro lugar.
Não sei teu rosto, mas tua voz é pura,
fala comigo sem poder me escutar.
Entre as palavras há calor que não se inventa,
traço por traço, alguém me desenhou.
Sinto-te perto, e a ausência não me ausenta,
pois nessa página tua alma me tocou.
Foste estrangeiro e, no entanto, companheiro,
no silêncio entre as linhas, és abrigo.
E enquanto o mundo gira em seu roteiro,
paro o tempo ao te encontrar — meu livro, amigo.
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