quinta-feira, 5 de junho de 2025

Ao Abrir um Livro

Abro o livro — e é tua mão que afaga,

vinda de longe, de outra vida, outro lugar.

Não sei teu rosto, mas tua voz é pura,

fala comigo sem poder me escutar.


Entre as palavras há calor que não se inventa,

traço por traço, alguém me desenhou.

Sinto-te perto, e a ausência não me ausenta,

pois nessa página tua alma me tocou.


Foste estrangeiro e, no entanto, companheiro,

no silêncio entre as linhas, és abrigo.

E enquanto o mundo gira em seu roteiro,

paro o tempo ao te encontrar — meu livro, amigo.

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