sexta-feira, 14 de março de 2025

Excessos

Toda embriaguez esconde uma sede,

todo grito cala o silêncio que antecede,

e a pressa feroz que corre do tédio

é medo oculto de estar perdido.


O riso que estoura espanta o luto,

a gula devora o que não se tem,

o verbo excessivo encobre o bruto

silêncio de quem não diz a quem.


Todos os excessos escondem uma falta,

o universal é sempre universal de alguém.

Quem quer tudo teme o nada

e a nada se detém.


Acende-se mil luzes para fugir da sombra,

inaugurando na luz uma nova cegueira

enfeita-se de glória, temendo o espelho,

na natureza crua, sem rodeio.


E assim segue-se, em ânsia e excesso,

querendo o todo sem ver a parte.

Assim, perde-se o sentido, antes intuído...

- lá em Eclesiastes -

No fim, percebe-se que tudo é vaidade.

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