Toda embriaguez esconde uma sede,
todo grito cala o silêncio que antecede,
e a pressa feroz que corre do tédio
é medo oculto de estar perdido.
O riso que estoura espanta o luto,
a gula devora o que não se tem,
o verbo excessivo encobre o bruto
silêncio de quem não diz a quem.
Todos os excessos escondem uma falta,
o universal é sempre universal de alguém.
Quem quer tudo teme o nada
e a nada se detém.
Acende-se mil luzes para fugir da sombra,
inaugurando na luz uma nova cegueira
enfeita-se de glória, temendo o espelho,
na natureza crua, sem rodeio.
E assim segue-se, em ânsia e excesso,
querendo o todo sem ver a parte.
Assim, perde-se o sentido, antes intuído...
- lá em Eclesiastes -
No fim, percebe-se que tudo é vaidade.
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