Pardais e sabiás que a manhã enfeitam,
curiosos papagaios tagarelas,
entre as ramagens verdes se deleitam,
meus companheiros de asas tão belas.
Vim repartir convosco a minha lida,
trazer-vos versos como quem semeia,
na esperança de ver, na voz contida,
um céu que em vossos olhos ainda anseia.
E se a gaiola esconde a imensidão,
a natureza em vós ainda brilha—
pois nunca a mão do homem ou prisão
apagam da ave o céu de sua sina.
Cantai, irmãos! Que a vossa melodia
se espalhe além das grades e do tempo.
Ainda que presos, a vossa harmonia
liberta o mundo de seu tormento.
E se um acaso a sorte me convida
a repousar da minha inquietação,
basta um bater de asas na partida
para lembrar que há céu no coração.
Nenhum comentário:
Postar um comentário