terça-feira, 18 de março de 2025

Aos pássaros do Passeio Público

Pardais e sabiás que a manhã enfeitam,

curiosos papagaios tagarelas,

entre as ramagens verdes se deleitam,

meus companheiros de asas tão belas.


Vim repartir convosco a minha lida,

trazer-vos versos como quem semeia,

na esperança de ver, na voz contida,

um céu que em vossos olhos ainda anseia.


E se a gaiola esconde a imensidão,

a natureza em vós ainda brilha—

pois nunca a mão do homem ou prisão

apagam da ave o céu de sua sina.


Cantai, irmãos! Que a vossa melodia

se espalhe além das grades e do tempo.

Ainda que presos, a vossa harmonia

liberta o mundo de seu tormento.


E se um acaso a sorte me convida

a repousar da minha inquietação,

basta um bater de asas na partida

para lembrar que há céu no coração.

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