terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Trabalho Morto

O capital é força apodrecida,

Que suga a vida e nega seu labor,

É sangue coagulando em lucro e dívida,

Mão invisível que toma sem pudor.


Valor que foi suprimido ao produtor,

Roubo forjado em torpe acumulação,

No giro infértil, rende ao especulador,

Que faz do mundo a sua expropriação.


Trabalho morto ergue sua sombra,

Mercadoria feita sem sentido,

Tornando o homem servo da penumbra,

Refém do câmbio, em morto convertido.


O tempo é presa do rentista insone,

Que compra o dia e doa a privação,

O lucro cresce e a miséria consome

Os sonhos cegos de uma geração.


No fluxo do caixa, a cifra admoesta,

A uns, o labor; a outros, a festa.

Transcende em névoa, fetiche e engano,

Rouba a existência do ser humano.


E tudo gira a se repetir, 

O fim da história em falsa liberdade,

O capital precisa falsear e subsumir, 

Ou não há mundo — só mercadoria e grade.

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