O capital é força apodrecida,
Que suga a vida e nega seu labor,
É sangue coagulando em lucro e dívida,
Mão invisível que toma sem pudor.
Valor que foi suprimido ao produtor,
Roubo forjado em torpe acumulação,
No giro infértil, rende ao especulador,
Que faz do mundo a sua expropriação.
Trabalho morto ergue sua sombra,
Mercadoria feita sem sentido,
Tornando o homem servo da penumbra,
Refém do câmbio, em morto convertido.
O tempo é presa do rentista insone,
Que compra o dia e doa a privação,
O lucro cresce e a miséria consome
Os sonhos cegos de uma geração.
No fluxo do caixa, a cifra admoesta,
A uns, o labor; a outros, a festa.
Transcende em névoa, fetiche e engano,
Rouba a existência do ser humano.
E tudo gira a se repetir,
O fim da história em falsa liberdade,
O capital precisa falsear e subsumir,
Ou não há mundo — só mercadoria e grade.
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