segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Um Novo Heautontimoroumenos

Sem pressa te acolherei,

Como a manhã abraça a flor,

Como o rio afaga o rumor

Do céu que nele vem se ver.


De tuas mágoas farei canto,

E o teu deserto hei de inundar

Com cada gesto a te amar,

Colhendo em riso o teu pranto.


Meu afeto é barco no teu mar,

Que, sobre as ondas da emoção,

Abraça em paz teu coração,

Navega o mundo a te cuidar.


Não sou acaso um som suave

Na eterna e doce melodia,

Graças à luz da empatia

Que renasce, como do sol a clave?


Em minha voz o amor sussurra,

E no meu sangue corre pleno,

Tingindo o instante mais sereno

De uma ternura que não satura.


Eu sou a mão e o toque terno,

Sou o espelho que te sorri,

Sou quem te vê e quem há de vir

Pra desbravar teu mundo interno.


Sou a fonte e sou o vinho,

Sou o abraço e a eternidade,

A calma em meio à tempestade,

Teu refúgio, teu caminho.


Sou um amante a transbordar,

Um desses que ao amor são dados,

E que, no peito iluminados,

Só sabem mais e mais amar.

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