Sem pressa te acolherei,
Como a manhã abraça a flor,
Como o rio afaga o rumor
Do céu que nele vem se ver.
De tuas mágoas farei canto,
E o teu deserto hei de inundar
Com cada gesto a te amar,
Colhendo em riso o teu pranto.
Meu afeto é barco no teu mar,
Que, sobre as ondas da emoção,
Abraça em paz teu coração,
Navega o mundo a te cuidar.
Não sou acaso um som suave
Na eterna e doce melodia,
Graças à luz da empatia
Que renasce, como do sol a clave?
Em minha voz o amor sussurra,
E no meu sangue corre pleno,
Tingindo o instante mais sereno
De uma ternura que não satura.
Eu sou a mão e o toque terno,
Sou o espelho que te sorri,
Sou quem te vê e quem há de vir
Pra desbravar teu mundo interno.
Sou a fonte e sou o vinho,
Sou o abraço e a eternidade,
A calma em meio à tempestade,
Teu refúgio, teu caminho.
Sou um amante a transbordar,
Um desses que ao amor são dados,
E que, no peito iluminados,
Só sabem mais e mais amar.
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