Que força é essa que nos faz julgar,
erguer as armas contra os nossos iguais,
quando a razão, no silêncio do pensar,
clama por paz e por direitos reais?
De que serve a fé que separa e divide,
se o mesmo sol nos banha em sua luz?
Deus, se existir, não manda que se agride,
nem prega o ódio que em nós se conduz.
O julgamento, essa vingança pequena,
é a preferida das almas limitadas,
que temem o outro, e nele, a condena,
em busca de suas falhas disfarçadas.
Tolerância, ao contrário, é a sabedoria,
que abraça a verdade na pluralidade;
não na imposição, mas na harmonia,
onde a mente se expande em liberdade.
Pois não é a moral que purifica o ser,
mas a aceitação da finitude humana;
e na aceitação, ao invés de perecer,
a alma transcende e se irmana.
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