segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Sob linhas tortas

Sob linhas tortas

Escrevo com sangue

Minha própria história.


Caracteres ao léu,

Que, desejantes do céu,

Rompem a aurora.


Ainda sobre as linhas,

Deus, ao escrever o "certo",

Vive preso em vãs memórias.


Preso a grilhões, como Prometeu,

Mas sem cumprir suas promessas,

Pois já certo de si mesmo.


Acomodado a suas sentenças,

Deus não move dedos contra a ordem,

Ainda que maligna seja.


Ainda que maligna seja

A sua ordem natural, que tanto oprime,

Suja e podre para uns, para outros, cristalina.


Assim, não mudará o mundo

Até que se anuncie contra si

Sua própria sentença divina.

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