Sob linhas tortas
Escrevo com sangue
Minha própria história.
Caracteres ao léu,
Que, desejantes do céu,
Rompem a aurora.
Ainda sobre as linhas,
Deus, ao escrever o "certo",
Vive preso em vãs memórias.
Preso a grilhões, como Prometeu,
Mas sem cumprir suas promessas,
Pois já certo de si mesmo.
Acomodado a suas sentenças,
Deus não move dedos contra a ordem,
Ainda que maligna seja.
Ainda que maligna seja
A sua ordem natural, que tanto oprime,
Suja e podre para uns, para outros, cristalina.
Assim, não mudará o mundo
Até que se anuncie contra si
Sua própria sentença divina.
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