No altar do mundo, o homem a Deus invoca,
Porém em Deus se vê, no espelho alçado;
Não é celeste o verbo que o provoca,
Mas seu anseio em mármore entalhado.
Projeta ao céu o que lhe falta em peito,
Virtudes que não tem, amor perdido;
E crê em um além que é seu preceito,
Sem ver que o sagrado é construído.
Não há divino fora do humano espelho,
Nem há poder além do que é pensado;
O céu é a máscara do nosso ensejo.
Ó homem, és o templo edificado,
A força e o mistério em ti se encerram,
Mas teus deuses, na ideia, te desterram.
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