A vida, como uma equação incalculável,
cuja origem se perdeu de vista.
Não pode ser facilmente compreendida,
nem mesmo encerrada em si mesma aferível.
Deve-se observar a dualidade,
característica da própria natureza,
e procurar entender a elementaridade,
a partir do que resiste de pureza.
As coisas acontecem em condições apropriadas,
portanto não há mérito que as justifique,
senão o sorteio do acaso, que lança indiferente,
sobre a gente, toda sorte de privilégios e prejuízos.
Não sou senhor de minha própria casa,
nem dono do meu próprio destino.
O que tem que ser, será; é o melhor raciocínio,
mas não me contento com a danação do mundo.
A ruína pode ser explicada com lógica,
se uns acumulam, outros são miseráveis.
Vive-se segundo o raciocínio que acolhe,
e paga-se o preço de seu pecado: a morte.
Mas o caminho da virtude é desprender-se,
de si, do simbólico espetáculo banal.
Assim, até mesmo da cruz despojar-se,
pois o TAO é o único indizível e real.
Pois, toda matéria se esvai no ar,
assim na terra, como no céu.
Se dispersa no tempo a pairar,
para noutro espaço encontrar-se ao léu.
Assim, o absurdo material e aleatório,
não encontra sentido em si mesmo,
a não ser o de reinventar-se,
reproduzir-se, mas nunca por inteiro.
Pois o absoluto se esconde de nós,
por ser desmedido, inexpresso.
O segredo casto e profundo
da misteriosa escuridão taciturna.
Assim são vãs todas realizações,
as ilusões do céu e da terra.
Pois para alcançar a causa originária,
deve-se desconstruir a si mesmo.
O Vazio é o que há de mais sagrado,
o caminho da serenidade e do silêncio.
A essência está no Vazio Perfeito,
que ensina o caminho em seu seio.
Se eu pudesse, nele transmutar-me-ia,
ainda que sem saber o que sucederia,
sabendo apenas, que seria sagrado,
e sendo assim, o vazio encarnado.
No entanto, sou matéria vã, rudimentar,
mas que apesar de preso à carcaça,
sonha em ser outra coisa, mais pura,
Ambiciona superar a criatura.
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