quarta-feira, 24 de julho de 2024

Elegia feminina

Deixa que meu corpo avance e te toque,

Por cima e em meus braços te agarre,

O mundo novo, que meus olhos desvelem,

Ao despir as roupas, no fulgor te beije.


Meu tesouro raro, brilho cintilante,

Tua pele nua avisto ainda que distante,

Liberto-me ao desvendá-la na cama,

Onde toca minha mão, minha alma anseia.


Teus olhos, que ao toque a veste entrega,

Como alma pura, que o corpo aconchega,

Como véu que cai, revelando a essência,

De um paraíso inteiro a ser conquistado.


Que corpo, que desejo, os seios, os ombros,

O colo, as ancas, as trocas de olhares,

A expressão quando goza, como se sobre o divã,

E eu, como quem a estuda, analisa, não podendo sê-la.


Deixa que eu te toque, seja minha sorte,

De habitar teu ventre e não mais morrer,

Desde os olhos de um moço, diante da mulher,

que descobrindo-a ao descobri-la lhe admira.


Deixa que eu te beije, dos pés à cabeça,

Na certeza de lhe ter, sem certeza,

Essa certeza que não se pode ter,

Mas que não se pode deixar de querer.


E notar que há muito mais que o corpo,

Para encantar e de desejo extasiar-se

Descobrindo que há, ao anoitecer, 

uma vida a se dedicar, para lhe merecer


Teus olhos que ao toque a veste entrega,

Como alma pura que o corpo acomoda,

Como véu que cai revelando a essência,

De um paraíso inteiro a ser conquistado.


Deixa que eu te toque, seja minha sorte,

De habitar teu ser e não mais morrer,

Descobrir que há, ao amanhecer,

Em ti, moça-mulher, muito mais a se querer.


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