Deixa que meu corpo avance e te toque,
Por cima e em meus braços te agarre,
O mundo novo, que meus olhos desvelem,
Ao despir as roupas, no fulgor te beije.
Meu tesouro raro, brilho cintilante,
Tua pele nua avisto ainda que distante,
Liberto-me ao desvendá-la na cama,
Onde toca minha mão, minha alma anseia.
Teus olhos, que ao toque a veste entrega,
Como alma pura, que o corpo aconchega,
Como véu que cai, revelando a essência,
De um paraíso inteiro a ser conquistado.
Que corpo, que desejo, os seios, os ombros,
O colo, as ancas, as trocas de olhares,
A expressão quando goza, como se sobre o divã,
E eu, como quem a estuda, analisa, não podendo sê-la.
Deixa que eu te toque, seja minha sorte,
De habitar teu ventre e não mais morrer,
Desde os olhos de um moço, diante da mulher,
que descobrindo-a ao descobri-la lhe admira.
Deixa que eu te beije, dos pés à cabeça,
Na certeza de lhe ter, sem certeza,
Essa certeza que não se pode ter,
Mas que não se pode deixar de querer.
E notar que há muito mais que o corpo,
Para encantar e de desejo extasiar-se
Descobrindo que há, ao anoitecer,
uma vida a se dedicar, para lhe merecer
Teus olhos que ao toque a veste entrega,
Como alma pura que o corpo acomoda,
Como véu que cai revelando a essência,
De um paraíso inteiro a ser conquistado.
Deixa que eu te toque, seja minha sorte,
De habitar teu ser e não mais morrer,
Descobrir que há, ao amanhecer,
Em ti, moça-mulher, muito mais a se querer.
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