quarta-feira, 19 de junho de 2024

Soneto de despedida

Me abandonaste, tal sujeito, como se atreve!

Se de amor e desejo por mim tanto ardeu

E de beijos dessa vontade me incendiou,

E em meu peito, nas carícias, como se ateve.


Me roubaste das mãos protetoras de meus pais,

Me ensinaste a gozar de todas as delícias proibidas,

Me fizeste descer do meu castelo, lápide esculpida,

Para me deixar livre, descontente com coisas banais.


Saíste pela manhã, com a aurora a florescer em mim,

E negligenciou as delícias que me indulgenciava,

Sem ver as flores que brotaram em nosso jardim.


Nem te vi, não soube dizer, nem saberia agora.

Não sei te olhar, baixo a cabeça, ai de mim

Por que me apresentaste a vida e foste embora?

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