Quando pequeno era, já me angustiava,
Na vida, até hoje, é uma constante.
Talvez, desde que engatinhava,
Mas ainda assim, sei ser contente.
Nem tudo me é cativante,
Pouco me orgulha o que sou.
Tampouco me importa onde me perdi,
Mas sim o que foi que me levou.
O rubro negro do vazio d'alma,
Preenchido à toa por toda gente,
Tampando a superfície aparente,
Com qualquer coisa que valha.
Esse vazio que não tampei,
Expõe aberto o túmulo escancarado,
Espelho do fio da navalha,
Que o reflexo narcísico escancara.
Tenho saudade do que fui,
Daquilo que poderia ser,
Sabendo que, noutro lugar,
Teria o mesmo do que sou.
Quanto mais possibilidades,
Mais angústias, mais saudades.
Isso a dor do amor me ensinou,
Ainda cedo, e por aí me enveredou.
Por ser desejante, Árabe errante,
Querendo ser todas as coisas,
Fragmentei-me ao me esculpir,
Como pérolas a rolar na lápide.
Como criatura morta,
Que carrega algo de belo,
Esperando a hora certa,
Para o seu próprio desfecho.
Em todo caso ou caminho,
Em toda sina ou viagem,
Tudo leva ao mesmo destino,
De sonho e impossibilidade.
Eis a lájea fria, morada final:
Não ser como Deus, o pecado,
Sendo apenas o pobre diabo,
Ciente do bem e do mal.
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