terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Como uma pedra a rolar

 Às vezes carrego a vida,

Às vezes deixo-a me carregar.

De vez em quando sou Sísifo,

Outras tantas, a pedra a rolar.


Distante vejo a face de Deus,

E diante de mim o paraíso.

Também ao lado dos caídos,

Sinto o inferno estabelecido.


Tudo posso perder, exceto o ímpeto

De rolar acima o peso da existência,

Sacrificar-se em vida pelo que pode ruir.


Querer bem os maus, eis a desobediência.

Ver beleza onde ela não pôde existir:

Eis o êxito.


Catedral da Sé, São Paulo - 2024

Nenhum comentário:

Postar um comentário