Às vezes carrego a vida,
Às vezes deixo-a me carregar.
De vez em quando sou Sísifo,
Outras tantas, a pedra a rolar.
Distante vejo a face de Deus,
E diante de mim o paraíso.
Também ao lado dos caídos,
Sinto o inferno estabelecido.
Tudo posso perder, exceto o ímpeto
De rolar acima o peso da existência,
Sacrificar-se em vida pelo que pode ruir.
Querer bem os maus, eis a desobediência.
Ver beleza onde ela não pôde existir:
Eis o êxito.
Catedral da Sé, São Paulo - 2024
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