terça-feira, 12 de dezembro de 2023

O Guesa errante

O mar à vista acalenta quem se arrisca,

E faz do peito a proa, firme para navegar.

Não teme o vazio e a sorte incerta,

E ergue-se diante da imensidão do mar.


O guesa errante mergulha em si mesmo,

Não tem para onde ir, nem céu nem lar.

Não há parte que lhe cabe nesse latifúndio,

Sem isso, não há terra à vista para se fitar.


Por isso, é que está sempre a avistar o mar,

E assim ouvirás das sereias os cantares.

E a sorte da morte há de lhe buscar,

Nos confins em que te esconderes.


O mar acalentará o errante navegante,

Cujo peito habita o ímpeto do infinito abraçar.

Não temendo o vazio e a incerta sorte,

Carregará em si a imensidão do mar.

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