Sou como sou.
Não vim pra agradar.
Sou cantador.
Canto em qualquer lugar.
Vem dai a indiferença,
Da curiosidade intensa,
Que deseja tudo,
Despretenciosamente.
Meus braços cruzados,
Meu jeito de olhar,
E meus olhos, que tristes,
São o próprio mar.
Não quero enganar.
Portanto, não mereço o crédito.
Não vim pra ganhar, não desejo fama.
Sou cantador, canto a dor e a trama.
Meu reino não é desse mundo,
Mas não vou me fazer crucificar.
Por razão alheia ao verdadeiro,
Que não a mais valia, do mais gozar.
Desejo a simplicidade,
De caminhar por aí.
Olhar, calar, ouvir,
Ver o fluxo da vida, fluir.
Eis minha pretensão.
O que há a conhecer,
Me tornar imortal,
Para depois morrer.
Não vejo mal em matar,
Arrancar a vida, feito capim.
Pois é dom da natureza,
A única certeza: o fim.
Como escapar de nós, do eu.
Ser, por minha vez, o todo.
Absoluto, TAO e qual,
Vestir, enfim, meu rosto.
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