sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

A natureza humana de João

Sou como sou.

Não vim pra agradar.

Sou cantador.

Canto em qualquer lugar.


Vem dai a indiferença,

Da curiosidade intensa,

Que deseja tudo,

Despretenciosamente.


Meus braços cruzados,

Meu jeito de olhar,

E meus olhos, que tristes,

São o próprio mar.


Não quero enganar.

Portanto, não mereço o crédito.

Não vim pra ganhar, não desejo fama.

Sou cantador, canto a dor e a trama.


Meu reino não é desse mundo,

Mas não vou me fazer crucificar.

Por razão alheia ao verdadeiro,

Que não a mais valia, do mais gozar.


Desejo a simplicidade,

De caminhar por aí.

Olhar, calar, ouvir,

Ver o fluxo da vida, fluir.


Eis minha pretensão.

O que há a conhecer,

Me tornar imortal,

Para depois morrer.


Não vejo mal em matar,

Arrancar a vida, feito capim.

Pois é dom da natureza,

A única certeza: o fim.


Como escapar de nós, do eu.

Ser, por minha vez, o todo.

Absoluto, TAO e qual,

Vestir, enfim, meu rosto.


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