Voltar não é um verbo redondo!?
Eis a questão do presente poema.
Talvez seja mais um buraco!
De onde tudo em volta é beira.
Ou talvez uma ilha, ou um círculo,
Vista apenas de fora, como Ítaca.
Não o ouroboros, em si mesmo encerrado,
Mas princípio e fim de uma história inteira.
Certo ou não, é impossível prever
Diante da inutilidade do gesto.
O tempo continua a correr
Sem a certeza do ímpeto.
Que seja ao menos
A vontade do peito.
Obs:
Voltar é mesmo um buraco.
Início e fim de uma história inteira.
A esse respeito caberá um tratado
Do qual só sairá besteira.
Pois o essencial é invisível aos olhos,
Semelhante aos buracos negros do espaço.
Cada ser em si terá de dizer
Para onde ir, o que virá a ser.
Ir também é um buraco
Do qual tudo é beira.
Bastará ser empurrado.
Basta uma centelha e terá de decidir,
Se machucará um pouco, há de ser novo,
E terá de aprender a amar a si.
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