terça-feira, 21 de novembro de 2023

Voltar não é um verbo redondo (para Leonardo Tonus)

Voltar não é um verbo redondo!?

Eis a questão do presente poema.

Talvez seja mais um buraco!

De onde tudo em volta é beira.


Ou talvez uma ilha, ou um círculo,

Vista apenas de fora, como Ítaca.

Não o ouroboros, em si mesmo encerrado,

Mas princípio e fim de uma história inteira.


Certo ou não, é impossível prever

Diante da inutilidade do gesto.

O tempo continua a correr


Sem a certeza do ímpeto.

Que seja ao menos

A vontade do peito.


Obs:

Voltar é mesmo um buraco.

Início e fim de uma história inteira.

A esse respeito caberá um tratado

Do qual só sairá besteira.


Pois o essencial é invisível aos olhos,

Semelhante aos buracos negros do espaço.

Cada ser em si terá de dizer

Para onde ir, o que virá a ser.


Ir também é um buraco

Do qual tudo é beira.

Bastará ser empurrado.


Basta uma centelha e terá de decidir,

Se machucará um pouco, há de ser novo,

E terá de aprender a amar a si.

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