No palco, atores imperfeitos,
Encenam personagens de improviso.
De longe, bem longe, eu os avisto,
E de tédio, às vezes, aceno de viés.
Minha fala, sempre quieta, nada diz,
Sou também personagem,
Também imperfeito,
E às vezes feliz.
Tudo vejo e atento medito, feito filósofo.
Alma de bugre, peito lusófono,
Lusíada, avanço para o desfecho,
De cavaleiro da terra, fruto sertanejo.
Visto os louros do poeta e seus gracejos.
Diante disso, consciência é indiferença,
E a sabedoria, acúmulo de tristeza.
Preso ao palco e às suas circunstâncias,
A angústia rói o figurino, eis o seu destino:
Entoar o canto, sem a certeza da fala,
Podendo atuar contra a peça, o anti-herói.
Às avessas, os olhos brilham,
Pois janelas d'alma, que em desatino,
Rompe o teatro por um triz.
Ciente de que sou personagem,
De um destino imperfeito,
Mas capaz de ser feliz.
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