sexta-feira, 24 de novembro de 2023

O Palco

No palco, atores imperfeitos,

Encenam personagens de improviso.

De longe, bem longe, eu os avisto,

E de tédio, às vezes, aceno de viés.

Minha fala, sempre quieta, nada diz,

Sou também personagem,

Também imperfeito,

E às vezes feliz.


Tudo vejo e atento medito, feito filósofo.

Alma de bugre, peito lusófono,

Lusíada, avanço para o desfecho,

De cavaleiro da terra, fruto sertanejo.

Visto os louros do poeta e seus gracejos.


Diante disso, consciência é indiferença,

E a sabedoria, acúmulo de tristeza.

Preso ao palco e às suas circunstâncias,

A angústia rói o figurino, eis o seu destino:

Entoar o canto, sem a certeza da fala,

Podendo atuar contra a peça, o anti-herói.


Às avessas, os olhos brilham,

Pois janelas d'alma, que em desatino,

Rompe o teatro por um triz.

Ciente de que sou personagem,

De um destino imperfeito,

Mas capaz de ser feliz.

Nenhum comentário:

Postar um comentário