Fora da vitrine, nada é o mesmo
O efêmero valor, se desvanece
Assim a moda, o luxo e o lixo
Tudo se esvai, não permanece
Na flora, a beleza em suave apelo,
Padecem também, apressadas se vão,
Assim, o mundo se renova, é singelo,
O tempo escorre, em eterna transformação.
Mas o caráter fetichista da mercadoria
Consiste no animismo que a reveste
Como num vestido de alta-costura
Do couro arrancado de um animal silvestre
Sem saber que um macaco vestido de púrpura
Permanece a ser o mesmo animal
Ainda que tenha na cabeça uma Mitra
Não é ela que lhe torna episcopal
Mas é a ideia que veste as cabeças
Colocada lá por algum "alguém"
Feito um boné dos yankees
Que se veste sem saber o que/por quê
Assim, o segredo do feitiço é a fantasia
Reside na arte de os tolos convencer
De não questionar, de obedecer
Seguir cego, calado e morrer
Como dito, o feitiço está na fantasia
Que faz as massas nunca questionar,
Dançar cegamente a melodia,
E uma imensidão inteira ignorar
Já a verdade, meu bem, mora no poço
É preciso mergulhar para enxergar,
Que também faleceu (por ter pescoço) enforcado
Aquele que teve o chão para alcançar
Na teia da existência, o enigma se esconde,
E o tempo, impiedoso, tece seu destino,
Entre a flor que se despede e o sol que resplandece,
Seguimos todos nós em busca de sentido.
Mas contra a ignorância esnobe, uma ode se ergue,
Ao brilho único de Madame Satã!
A fim de que o vermelho do sangue dos pobres
Um dia valha mais que o de um salto Louboutin
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