quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

Dialética do senhor e escravo


Estou a ver navios, confesso 

Minha condição, meu lugar 

Nasci, não em berço de ouro

Por ele, não posso esperar 


Diante disso, não vou me queixar

A vida dá as cartas, nós jogamos

A par disso, elaborei meus planos

De todos os barcos incendiar 


Sobreviver requer inteligência 

Se sobrevivo sou um tanto isso

Constato, e abro um sorriso

O que mais tenho é paciência 


A correr em círculos 

Frequento um labirinto 

Sou um tanto astuto

Estou assim, é isto.


A ver navios e a queimá-los todos 

No fim, você não gostará de mim

Mas sua filha sim

Terás então desgosto?


Beijarás seu rosto

A ouvir sobre mim

Cruel, tirano estorvo


E a consentir assim

Beijarás também a mim

Como quem rói um osso


E te beijarei de volta 

A bater à tua porta

E levar teu tesouro 


Comigo, estás a sonhar

Enfim, pesadelos sem fim

Estaremos então, no mesmo lugar


Você a chorar, eu a rir

Você a chegar 

Eu a ir

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