Estou a ver navios, confesso
Minha condição, meu lugar
Nasci, não em berço de ouro
Por ele, não posso esperar
Diante disso, não vou me queixar
A vida dá as cartas, nós jogamos
A par disso, elaborei meus planos
De todos os barcos incendiar
Sobreviver requer inteligência
Se sobrevivo sou um tanto isso
Constato, e abro um sorriso
O que mais tenho é paciência
A correr em círculos
Frequento um labirinto
Sou um tanto astuto
Estou assim, é isto.
A ver navios e a queimá-los todos
No fim, você não gostará de mim
Mas sua filha sim
Terás então desgosto?
Beijarás seu rosto
A ouvir sobre mim
Cruel, tirano estorvo
E a consentir assim
Beijarás também a mim
Como quem rói um osso
E te beijarei de volta
A bater à tua porta
E levar teu tesouro
Comigo, estás a sonhar
Enfim, pesadelos sem fim
Estaremos então, no mesmo lugar
Você a chorar, eu a rir
Você a chegar
Eu a ir
Nenhum comentário:
Postar um comentário