terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Protesto

 Reclama, pode reclamar

Da faca que carrego na jaqueta

Do revólver que carrego no carro

Do meu jeito, sem etiqueta


Da bala na agulha

Do ódio no peito

Da revolta que trago

Dos furtos que faço, reclama


Mas no fim diz que me ama

Quer morar nos meus braços

Me engana, sabe enganar

E ama, no fim está a amar


Joga teu laço

E amarra, apertado

Me chama e não tardo

Cedo, de desejo já ardo


Ainda que fosse mesmo perigoso

Como dizes, e reclama

Se engana, de um jeito gostoso

Pois mesmo que eu fosse, a contragosto


Não é nada perto do ser mulher

Que rouba os olhares e furta corações

Faz sonhar doces ilusões

Viver extraordinárias emoções


E mata de desejo o homem soberbo

Perdendo a razão em te desejar

Na ingenuidade de um menino

Acreditando poder te domar


Reclama, diz que me ama

Ama, pode reclamar

Mas o teu perigo é o mais perigoso

Que se pode enfrentar


Inédita criatura

Teus crimes e pecados

Na tua formosura

São os mais divinos


Quero sempre ser roubado

Por teus olhos cativos

Me roube a roupa e os beijos

Me tens inteiro, ao teu desejo


Ao teu dispor, ao teu calor

Então não reclame

Me tens por inteiro

Indolor, meu amor


femme fatale, dolce inganno

Venha me roubar todos os planos

E me trazer pra perto

Do teu corpo


Me dê tua alma

Teu seio

Teu gozo

Teu suor


Te quero inteira

Dos pés a cabeça

Teus desejos

São para mim sentenças


Estrela D´alva

Minha oração

Jóia rara

Minha salvação


Reclama, diz que me ama

Ama, pode reclamar

Mas o teu perigo é o mais perigoso

Que se pode enfrentar

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