terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Boemia

 O sentimento embriagado

De atravessar as marquises

E ter então encontrado

Um bar rodeado de gente

Na felicidade da noite

A dançar contente


Ouvir o cantar de bêbados

como o cantar de galos

Num conjunto íntegro

como numa corrente

Que se canta feito hino


De uma gente feliz

obstinada e insistente

a defender por um triz

a felicidade de uma noite

de não ser levada pelo vento


Ah, como esse sentimento

Acalenta e invade o peito

A boemia, melancolia

Como o conhaque

Enche a cabeça


A boemia

Os passantes dançam

E eu estou feliz

Também vou dançar


A boemia

Repare como eles sorriem contentes

E eu também estou contente

Por suas alegrias


A boemia

Os vestidos estão a rodar

As moças me encantam

Feito feitiçaria


A boemia

Em marchinhas de Carnaval

Vou dançar na avenida

Até chegar no final


A boemia

Minha companhia

Está a me alegrar o dia

E principalmente a noite


A boemia

Me faz triste às vezes

Abraçado a melancolia

A reparar o mal e a ruína


A boemia

Está a me sussurrar besteiras

Que um bêbado gosta de fazer

E só assim pode ser


A boemia

Nos ensina que

Apesar dos pesares

É gostoso viver


A boemia

É o próprio diabo

A nos carregar pela noite

Dançando valsa


A boemia

está no sorriso da puta

Que não distingo triste ou feliz

E permanece na esquina


A boemia

Está no meu jeito de atriz

No âmago de minha indiferença

Que canta e dança


A boemia

Está no tráfego da rua

Nos trabalhadores se encaminhado

para mais um dia de labuta


A boemia

Sou eu bêbado

De sentimento e razão

A dirigir na contramão


A boemia

Chame a polícia!

Prenda o João!

Que confusão!


A boemia

Está diante dos olhos

Nas ruas, nos travestis

Diante de teu nariz


A boemia

Foi por ali

Em cima de ti

A te enfeitiçar


Na fumaça dos cigarros

No verde do absinto

No rubro da madrugada

Em decifrar labirintos

No cair em ciladas


E se encontrar perdido

Com a alma enamorada

Sem razão, motivo e porquê

Na delegacia, quarto de menina

A dormir na praça


Em perder a cabeça

Não como Robespierre

Talvez como Dionísio

Por amor ao vinho

que se faz d´água


A boemia,

Está nos olhos da moça

A te enfeitiçar

A tirar tua roupa

E roubar tua alma


Está em sua lingerie

Na sua pele nua

No jeito que sorri

Em sua carne crua


A boemia

É o próprio diabo

A nos carregar pela noite

Dançando valsa




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