O sentimento embriagado
De atravessar as marquises
E ter então encontrado
Um bar rodeado de gente
Na felicidade da noite
A dançar contente
Ouvir o cantar de bêbados
como o cantar de galos
Num conjunto íntegro
como numa corrente
Que se canta feito hino
De uma gente feliz
obstinada e insistente
a defender por um triz
a felicidade de uma noite
de não ser levada pelo vento
Ah, como esse sentimento
Acalenta e invade o peito
A boemia, melancolia
Como o conhaque
Enche a cabeça
A boemia
Os passantes dançam
E eu estou feliz
Também vou dançar
A boemia
Repare como eles sorriem contentes
E eu também estou contente
Por suas alegrias
A boemia
Os vestidos estão a rodar
As moças me encantam
Feito feitiçaria
A boemia
Em marchinhas de Carnaval
Vou dançar na avenida
Até chegar no final
A boemia
Minha companhia
Está a me alegrar o dia
E principalmente a noite
A boemia
Me faz triste às vezes
Abraçado a melancolia
A reparar o mal e a ruína
A boemia
Está a me sussurrar besteiras
Que um bêbado gosta de fazer
E só assim pode ser
A boemia
Nos ensina que
Apesar dos pesares
É gostoso viver
A boemia
É o próprio diabo
A nos carregar pela noite
Dançando valsa
A boemia
está no sorriso da puta
Que não distingo triste ou feliz
E permanece na esquina
A boemia
Está no meu jeito de atriz
No âmago de minha indiferença
Que canta e dança
A boemia
Está no tráfego da rua
Nos trabalhadores se encaminhado
para mais um dia de labuta
A boemia
Sou eu bêbado
De sentimento e razão
A dirigir na contramão
A boemia
Chame a polícia!
Prenda o João!
Que confusão!
A boemia
Está diante dos olhos
Nas ruas, nos travestis
Diante de teu nariz
A boemia
Foi por ali
Em cima de ti
A te enfeitiçar
Na fumaça dos cigarros
No verde do absinto
No rubro da madrugada
Em decifrar labirintos
No cair em ciladas
E se encontrar perdido
Com a alma enamorada
Sem razão, motivo e porquê
Na delegacia, quarto de menina
A dormir na praça
Em perder a cabeça
Não como Robespierre
Talvez como Dionísio
Por amor ao vinho
que se faz d´água
A boemia,
Está nos olhos da moça
A te enfeitiçar
A tirar tua roupa
E roubar tua alma
Está em sua lingerie
Na sua pele nua
No jeito que sorri
Em sua carne crua
A boemia
É o próprio diabo
A nos carregar pela noite
Dançando valsa
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