Uma noite fui à praça beber conhaque,
e bebi por todas as dores do mundo,
inclusive as minhas.
E fiz um poema —
não porque sou vagabundo ou bom poeta;
títulos não vislumbro, nem medalhas,
mas como Deus fez o mundo,
por mera tara.
Certo por linhas tortas,
como os desatinos seus,
Deus fez o mundo porque quis —
e isso a ele basta.
Assim também os poemas meus,
errantes, mas em linha reta,
porque Deus é Deus,
e eu, poeta.
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