O sol entra pela janela e toca a minha face,
me envolve em luz, em nome da existência,
e o mundo, mesmo em sua incoerência,
se aquieta um pouco, e em mim refaz-se.
Na pele, como fogo brando se dissolve,
mistério antigo em forma de clemência;
na vida — essa sutil irreverência —
tudo o que é ser se abranda e se envolve.
Embora o mundo seja um vão desvio,
e o universo, segredo em obscuro véu,
há paz no instante em que esse abraço veio.
Agradeço ao sol, por seu fulgor e estio,
que beija a carne e lembra o que é do céu,
que há vida em mim, e é por isso que o sinto.
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