quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Soneto ao Sol da Tarde

O sol entra pela janela e toca a minha face,

me envolve em luz, em nome da existência,

e o mundo, mesmo em sua incoerência,

se aquieta um pouco, e em mim refaz-se.


Na pele, como fogo brando se dissolve,

mistério antigo em forma de clemência;

na vida — essa sutil irreverência —

tudo o que é ser se abranda e se envolve.


Embora o mundo seja um vão desvio,

e o universo, segredo em obscuro véu,

há paz no instante em que esse abraço veio.


Agradeço ao sol, por seu fulgor e estio,

que beija a carne e lembra o que é do céu,

que há vida em mim, e é por isso que o sinto.

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