terça-feira, 26 de agosto de 2025

Sem título

Sou do acaso a secreta composição,

Tomo as rédeas e duelo com o céu.

O universo se encerra em meu coração,

Não sei aonde me conduzirá meu véu,

Minhas asas são a sombra da solidão.

Sou sossego, mas carrego o desatino,

Sou errante, sou arisco e sou carinho,

Sou o náufrago perdido em meu caminho.


Um violão ressoa e a alma quer chorar,

Um conhaque bebo: e o luar vem me saudar.

Trôpego tropesso em definir-me, sublime:

Sou sossego disperso em tanta ausência,

Que é o curso do infinito sem medida,

E, portanto, me redimo frente à vida.

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