Me desloco
como um cavaleiro num tabuleiro
de xadrez —
cromático animal
de saltos profanos,
onde o ar azul de éter
de ventos e sentidos se dispersam
em fractais de silêncio
e cores mil.
Entre torres de âmbar
e bispos de sombra líquida, lânguida,
cada passo é liturgia
de um rito antigo, macabro mistério, vão também,
a geografia da impossibilidade —
a esfera que ressoa
em ecos quebrados
de um vazio total.
Sou a tessitura errante
do labirinto cifrado,
a máquina de ouro
que roda em hélices de sonho,
um fantasma anódino
em busca do eixo perdido,
tecendo nos lances
a metáfora do não-ser e do talvez.
Máquina taciturna,
boêmia noturna,
despreocupada, atenta
ao caos e à miséria do caduco mundo,
turvo, miope, jovem,
calado,
mas atento até
ao vento que carrega os pássaros.
A galope sempre,
em busca de tempos perdidos,
fugindo de todo ruído,
em busca de serenos tempos.
Tarado olha mulheres,
gentil percorre seus gestos,
um anjo percorre seus corpos.
Érotico em tudo,
disfarça,
quer elegância,
evita o luxo,
quer que o mundo
não seja injusto,
sonha todas as coisas
como dever ser.
Pedaço de ausência
no jogo dos homens.
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