segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Degraus a Galope

Me desloco

  como um cavaleiro num tabuleiro

    de xadrez —


cromático animal

  de saltos profanos,


onde o ar azul de éter

  de ventos e sentidos se dispersam


    em fractais de silêncio

      e cores mil.


Entre torres de âmbar

  e bispos de sombra líquida, lânguida,


cada passo é liturgia

  de um rito antigo, macabro mistério, vão também,


    a geografia da impossibilidade —


      a esfera que ressoa

        em ecos quebrados

          de um vazio total.


Sou a tessitura errante

  do labirinto cifrado,


a máquina de ouro

  que roda em hélices de sonho,


um fantasma anódino

  em busca do eixo perdido,


    tecendo nos lances

      a metáfora do não-ser e do talvez.


Máquina taciturna,

  boêmia noturna,


despreocupada, atenta

  ao caos e à miséria do caduco mundo,


    turvo, miope, jovem,

      calado,


mas atento até

  ao vento que carrega os pássaros.


A galope sempre,

  em busca de tempos perdidos,


fugindo de todo ruído,

  em busca de serenos tempos.


Tarado olha mulheres,

  gentil percorre seus gestos,


    um anjo percorre seus corpos.


Érotico em tudo,

  disfarça,


quer elegância,

  evita o luxo,


quer que o mundo

  não seja injusto,


    sonha todas as coisas

      como dever ser.


Pedaço de ausência

  no jogo dos homens.

Nenhum comentário:

Postar um comentário