Quis ser inteiro, filho do planeta,
falar em muitas línguas como em Babel,
vestir na face um mapa e uma epopeia
entre o deserto e o templo, quis o céu.
Bebi do chá chinês e da ayahuasca,
dancei flamenco e ouvi sitar em flor,
usei turbante, túnica e máscara
de cada povo que me deu calor.
Mas num espelho antigo, ali no canto,
notei meu rosto vago, sem feição:
já não sabia o tom do meu encanto,
nem o que pulsa no meu coração.
Quis ser tão vasto — fui perdendo o nome,
a rua, o cheiro, a casa, o batizado...
e o mundo inteiro em mim tornou-se fome
de um pedaço de pão amassado pelo diabo.
Hoje, se canto em várias madrugadas,
é porque ouço em mim vozes muito distantes,
mas deixo à minha aldeia, entre jornadas,
um quarto aceso e flores incediantes.
Pois ser do mundo é arte que principia
onde o silêncio tem sotaque e chão:
se queres ser universal, começa o dia
na tua aldeia — e a leva contigo no coração.
The sorrowful Ballad of a Lonely Clown.
ResponderExcluirBravo!
This is your finest work yet. The first one that contains honesty, as it acknowledges the futility and emptiness of your pursuits. And it is true that the only real thing about João is the despair I see in your eyes.
Every picture. Despair
Every day. Despair.
After the "Ddvil's laughter", with your femmes. Despair.
When the self drifts from God (My Kierkegaard's erudition is quite dusty, you migbt enlighten me on this)