sexta-feira, 30 de junho de 2023

Religião

Meu deus é o Deus de Espinoza

Meu ateísmo, de Ernest Bloch

Meu perfume, um labirinto indefinido

Meus braços cruzados, são como um nó


Quando nasci, o diabo me disse

Que no inferno tem dança e cachaça

E que nos trópicos não existe pecado

Desde então é poesia o que faço


Demorei a compreender a dialética

Em visualizar e atrelar ato e efeito

Hoje percebo a coisa dada

Tal e qual, do meu jeito


Carrego todos os deuses no bolso

E costumeiramente ando descalço

Meu interesse é mais profundo

E minha catedral: meu peito


Assim, a minha lucidez

em permitir todas as coisas

Não me permite às coisas vãs

e me condena as coisas raras


Assim como deus, condenado a onipotência

Tive e tenho de ser o que sou, sem religião

deus-me-livre à onisciência

A busca é o que dá a direção

Nenhum comentário:

Postar um comentário