Meu deus é o Deus de Espinoza
Meu ateísmo, de Ernest Bloch
Meu perfume, um labirinto indefinido
Meus braços cruzados, são como um nó
Quando nasci, o diabo me disse
Que no inferno tem dança e cachaça
E que nos trópicos não existe pecado
Desde então é poesia o que faço
Demorei a compreender a dialética
Em visualizar e atrelar ato e efeito
Hoje percebo a coisa dada
Tal e qual, do meu jeito
Carrego todos os deuses no bolso
E costumeiramente ando descalço
Meu interesse é mais profundo
E minha catedral: meu peito
Assim, a minha lucidez
em permitir todas as coisas
Não me permite às coisas vãs
e me condena as coisas raras
Assim como deus, condenado a onipotência
Tive e tenho de ser o que sou, sem religião
deus-me-livre à onisciência
A busca é o que dá a direção
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