Vou me vestir de vermelho
Cor do sangue dos pobres
Cor da capa dos livros
Cor que carrega meu nome
Vou me despir em vermelho
Como São Bartolomeu
Escrever mais mil sonetos
E dizer, enfim: "são todos meus"
Não chamarei filho meu de Lênin
Ou, quem sabe, Engels
Os navios já estão queimados
Não preciso disso.
Não me visto de general
Nem tenho fetiche em armas
Meu problema não é fálico
Meu caráter é revolucionário
Meu anseio: famélico
Indiferente aos mornos
Esses, que já são vômitos
Sem serem mastigados
O vermelho pulsa em minhas veias
Veias abertas de animal, anti-materiais
Cor lúgubre, neon, rubro-negra
Vou vestir-te, despindo-me de mim
Óh, Santo Sepulcro
Queres o lucro
Tens a espada
Vestes a púrpura.
Mas vedes as chagas
Repara o vermelho
Ele virá, do poço, prometo
Onde a verdade mora.
De pé ó vítimas da fome
De pé, famélicos da terra.
Que a filosofia vomite a miséria
Na luta de classes através da ideia
Da ideia a chama já consome.
Vermelha, rubro-negra, o novo mundo
Avance a crosta bruta que a soterra.
Cortai o mal bem pelo fundo
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