quarta-feira, 17 de maio de 2023

Vermelho

Vou me vestir de vermelho

Cor do sangue dos pobres

Cor da capa dos livros

Cor que carrega meu nome


Vou me despir em vermelho

Como São Bartolomeu 

Escrever mais mil sonetos

E dizer, enfim: "são todos meus"


Não chamarei filho meu de Lênin

Ou, quem sabe, Engels

Os navios já estão queimados

Não preciso disso.


Não me visto de general

Nem tenho fetiche em armas

Meu problema não é fálico

Meu caráter é revolucionário


Meu anseio: famélico

Indiferente aos mornos

Esses, que já são vômitos

Sem serem mastigados


O vermelho pulsa em minhas veias

Veias abertas de animal, anti-materiais

Cor lúgubre, neon, rubro-negra

Vou vestir-te, despindo-me de mim


Óh, Santo Sepulcro

Queres o lucro

Tens a espada

Vestes a púrpura.


Mas vedes as chagas

Repara o vermelho

Ele virá, do poço, prometo

Onde a verdade mora.


De pé ó vítimas da fome

De pé, famélicos da terra. 

Que a filosofia vomite a miséria

Na luta de classes através da ideia


Da ideia a chama já consome.

Vermelha, rubro-negra, o novo mundo

Avance a crosta bruta que a soterra. 

Cortai o mal bem pelo fundo



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